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Cabo-verdianos retidos em Fortaleza: CVA deixa em aberto possibilidade de realizar “voo especial”

A Cabo Verde Airlines está a avaliar a possibilidade de manter voos especiais, humanitários, de repatriação ou carga, por forma a garantir que o país não fique isolado. Esta foi a resposta enviada ao Mindelinsite pela companhia aérea de bandeira quando confrontada com a situação dos passageiros retidos em Fortaleza, Brasil, e que se dizem estar desesperados, sem dinheiro e em risco de serem “despejados” dos hotéis onde estão hospedados. 

Às questões colocadas por este jornal digital, e que refletem as preocupações das cerca de duas dezenas de radiantes que viajaram para o Brasil para fazer compras – e que deveriam regressar ontem para Cabo Verde no Boeing da transportadora – a CVA remeteu o Mindelinsite para uma nota emitida no início desta semana, na sequência da decisão do Governo de encerrar as fronteiras. 

No documento, a empresa diz apenas que continua em conversações com os principais accionistas e as autoridades locais para avaliar se é necessário manter voos especiais, humanitários, de repatriação ou carga, de forma a garantir que Cabo Verde não fique isolado e que os bens essenciais, como medicamentos, podem ser fornecidos. Entretanto este, em nenhum momento, refere a passageiros da transportadora retidos fora do país. 

Desde que as fronteiras foram encerradas são muitos os apelos feitos nas redes sociais, por pessoas idôneas, relatando casos de cabo-verdianos que se encontram no exterior impossibilitados de regressar, sendo o mais paradigmático o dos comerciantes retidos no Brasil. Hoje mesmo, a página do Provedor do Mindelo no Facebook divulgou um pedido de socorro deste grupo, na expectativa de que este chegue ao Ministério dos Negócios Estrangeiros. 

 “Estamos em Fortaleza em desespero. Temos colegas a chorar. Fomos informados pelas agências onde compramos os bilhetes que não há voos porque as fronteiras estão encerradas. O gerente do hotel onde estamos hospedados deixou-nos ficar ontem, mas e hoje??? Mais para frente?? Na rua???”, indica um desses passageiros no comunicado divulgado por esta página. Este prossegue dizendo que alguns colegas não têm dinheiro nesta altura, tendo em conta que já deveriam ter regressado. “Pedimos que o pessoal da Embaixada entre em contacto connosco. Estamos em desespero, com filhos e famílias abandonados. O pior é que aqui já há casos de coronavírus. Estamos com medo”, acrescenta a mesma fonte. 

Precavidos, estes comerciantes garantem que já tinham arrendado uma casa em São Vicente, onde deveriam permanecer em quarentena após o seu regresso ao país, pelo que lançam um apelo urgente no sentido de os ajudarem a chegar a Cabo Verde, lê-se na mensagem dos comerciantes e que conta com 19 assinaturas.

Constânça de Pina

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