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Covid-19: Autoridades sanitárias abrem investigação para apurar origem da infecção de chinesa em S. Vicente

As autoridades sanitárias desencadearam uma ampla investigação para apurar a fonte de contágio pelo Covid-19 de uma chinesa em S. Vicente, cujo resultado foi confirmado ontem à noite. Até o momento ninguém sabe como essa paciente de 56 anos apanhou a doença, pelo que o próprio ministro da Saúde não descarta a hipótese de se tratar de uma infecção comunitária, ou seja, ocorrida localmente e não por pessoas chegadas do exterior.

Segundo Arlindo do Rosário, a paciente, que está internada e isolada no hospital Baptista de Sousa desde o dia 27 de Março, não saiu de Cabo Verde nos últimos meses, a não ser a sua filha, que esteve na Alemanha e regressou a 27 de Fevereiro. O certo, acrescenta o responsável pela pasta da Saúde, é que tanto a filha como o marido da cidadã chinesa não apresentam sinais de contágio. Mesmo assim, ambos estão de quarentena.

A chinesa, conforme dados revelados por Arlindo do Rosário, começou a sentir calafrios, tosse, dores pelo corpo e dificuldades respiratórias no dia 18 de Março, automedicou-se em casa durante alguns dias, mas, como a indisposição continuou, acabou por ser atendida numa clínica privada, que a diagnosticou com pneumonia. A paciente foi medicada para tratamento domiciliar. “Devido ao agravamento do quadro clínico, acabou por dar entrada no serviço de urgência do Hospital Baptista de Sousa no dia 27 de Março. Mesmo não tendo um histórico de viagens e de contacto com um eventual suspeito, foi tratada e enquadrada conforme estabelece o plano de contingência para casos suspeitos, pelo facto de apresentar uma pneumonia extensa”, revela o ministro da Saúde.

Na sequência desse resultado laboratorial, Arlindo do Rosário acabou por contactar cada um dos técnicos de saúde que estiveram ligados a esse caso e, conforme esse governante, todos asseguraram que agiram com as devidas cautelas desde a entrada da paciente no banco de urgência e mostraram estar confiantes e serenos.

A atenção das autoridades desdobram-se em duas frentes por esta altura, ou seja, tratar a paciente e descobrir como foi infectada. Por agora as possibilidades são vastas. Uma delas é se o veículo de contágio foi a filha, que esteve na Europa e pode ter apresentado um quadro assintomático. Outra hipótese suscitada é se o vírus terá entrado em S. Vicente por altura do Carnaval, festa muito popular na cidade do Mindelo e cujo desfile oficial aconteceu no dia 25 de Fevereiro. Ao mesmo tempo que admite essa possibilidade, Arlindo do Rosário quase que a descarta ao lembrar que o ciclo normal do coronavírus no organismo de um doente vai dos 14 aos 18 dias. Além disso, o próprio ministro realça que, se o vírus estivesse em S. Vicente por essa altura, haveria muito mais pessoas infectadas e descobertas há mais tempo.

Deste modo, a investigação epidemiológica vai continuar e, segundo Arlindo do Rosário, se não for encontrada a fonte, o caso da chinesa, cuja actividade profissional não foi revelada, será considerado uma transmissão comunitária. “Mas isso não vai alterar em nada a estratégia que definimos porque há muito tempo que temos estado a agir como se estivéssemos perante um cenário de transmissão comunitária. Podemos reforçar as medidas de isolamento social e de higiene pessoal, mas estas já estão em curso. Aquilo que devemos estar cientes é que essa luta será ganha e a arma está nas nossas mãos, no nosso comportamento”, lembra Arlindo do Rosário, enfatizando que o vírus não passeia sozinho, “nós é que o passeamos”.

Refira-se que Cabo Verde regista neste momento 7 casos de contaminação pelo Covid-19, sendo 4 na Boa Vista – com uma morte -, 2 na cidade da Praia e 1 em S. Vicente.

Kim-Zé Brito

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Bombeiros Ambulancia

Covid-19: Autoridades sanitárias aguardam ainda resultados das amostras dos casos suspeitos da Boa Vista, Praia e S. Vicente

O número de casos suspeitos e de infectados com o Covid-19 em Cabo Verde manteve-se inalterado hoje, pelo sexto dia consecutivo, mas isso deve-se ao facto de as autoridades sanitárias ainda não terem recebido os resultados das amostras das pessoas sob observação na Boa Vista (7), Cidade da Praia (1) e em S. Vicente (1). No balanço diário de hoje, Jorge Barreto, director do Serviço de Prevenção e Controlo de Doenças, relatou que as análises estavam a ser processadas e que os resultados das mesmas podem ser conhecidos hoje ou mais provavelmente amanhã. Assim sendo, esse médico realçou que o número de pessoas contagiadas com o novo coronavírus continua a ser seis, sendo quatro na Boa Vista – com um óbito – e duas na cidade da Praia e há ainda nove casos suspeitos.

A demora na chegada das amostras, segundo Barreto, está relacionada com os condicionamentos nas viagens inter-ilhas impostas pelo Estado de Emergência, mas deixou claro que as autoridades sanitárias têm toda a urgência em conhecer esses dados para poderem saber a amplitude do problema e tomar as medidas adequadas. O certo é que, diz Jorge Barreto, todos os indivíduos que tiveram contacto com as duas pessoas infectadas na cidade da Praia foram submetidos a rastreio e os resultados foram negativos. Por outro lado, os suspeitos retidos nos hotéis na Boa Vista e no Sal continuam a cumprir a quarentena obrigatória e podem sair daqui a uma semana, se não apresentarem sintomas típicos da Covid-19. Algumas das pessoas que estavam a ser seguidas nas suas residências já estão, entretanto, livres da quarentena.

No entanto, a grande preocupação é se pode haver gente infectada e assintomática a circular sem que as autoridades saibam. A pergunta é se haverá a necessidade de as pessoas suspeitas e que ainda não apresentaram sinais da doença serem submetidas a novos testes. Em relação a esse aspecto, Jorge Barreto realça que, se as pessoas continuarem assintomáticas após o período de incubação do vírus, não deverão ser submetidas a novo exame laboratorial. “Se estiverem assintomáticas, à partida não haverá a necessidade de mais outro teste. As condições estão a ser avaliadas com as informações recebidas e as evidências científicas, mas neste momento as pessoas assintomáticas não representam um perigo de transmissão tal como aquelas com sintomas, ou seja, com a doença em actividade”, compara o médico, que substituiu hoje o Director Nacional da Saúde, Artur Correia, na conferência de imprensa diária.

Ontem, Artur Correia referiu que na cidade da Praia estavam em quarentena domiciliar um total de 127 pessoas e 224 nos hotéis. Isto significa, afirmou, que centenas de pessoas estão livres de infecção por coronavírus. No Sal, 96 pessoas estavam a ser acompanhadas em casa e 70 nos hotéis, enquanto que em São Vicente havia 12 pessoas em quarentena domiciliar e um suspeito em isolamento hospitalar. Hoje foi impossível saber a actualização desses dados.

KzB

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seguros

Indústria Seguradora desempenhará papel fundamental na retoma da economia pós-crise Covid-19

A indústria seguradora também sofre os efeitos adversos que começam a afligir a economia cabo-verdiana,  mas deverá desempenhar um papel fundamental na retoma da normalidade no período pós-crise Covid-19, conforme o presidente do Conselho de Administração da Impar Seguros, Luís Vasconcelos. Esta confiança é também partilhada pelo Director de Marketing da Garantia, Víctor Andrade, que admite a existência neste momento de alguma ansiedade e receio por parte dos clientes e colaboradores, até porque todos estão a aprender a lidar com esta situação. Este acredita, no entanto, na boa capacidade de resposta dos cabo-verdianos em relação a este momento especial.

O gestor Luís Vasconcelos enfatiza que esta esta é uma situação de excepção, talvez só comparável com as duas grandes guerras mundiais. Neste momento, diz, o foco passa primeiro por proteger as pessoas, os colaboradores, os clientes e restantes stakeholders. Isto porque, afirma, esta indústria está entre as actividades essenciais, que não podem parar, mesmo em Estado de Emergência. “Pode-se dizer que a indústria seguradora é um dos barómetros da Economia, sendo assim directamente afectada com os efeitos adversos que já estamos a sentir na economia cabo-verdiana.”

Segundo Vascincelos, o Covid-19 provocou uma travagem brusca na economia mundial e consequentemente na cabo-verdiana, a qual está ancorada no turismo. E a época de 2020 pode estar comprometida, pois, sendo a Europa a maior fonte de emissão de visitantes para o arquipélago, as previsões apontam para uma recessão com grande impacto na economia do país. “Embora seja difícil nesta fase dizer que o nosso PIB irá diminuir 5%, 10% ou mais, veja que o próprio Governo já fala de uma perda potencial de quase 18 milhões de contos em impostos devido ao bloqueio da economia resultante da pandemia da Covid-19. Com isso, pode-se inferir a ordem de grandeza do problema que todos nós iremos enfrentar, provavelmente o maior desafio das nossas vidas como há dias foi dito pelo nosso vice-Primeiro ministro.”

Menos rendimento, menor consumo

Perante esse cenário, o PCA do Grupo Impar lembra que “sofre a economia, também sofre a indústria seguradora” porque, com a diminuição do rendimento e do consumo, quer devido ao desemprego – que vai crescer -, quer por causa da redução temporária dos salários em consequências dos lay-offs em curso, vai abrandar a actividade económica. Logo, vai diminuir a matéria segurável e o volume de prémios das seguradoras.

Porém, apesar do previsível impacto, acredita que as empresas do ramo são dos sectores mais resilientes da economia mundial e desempenham um papel fundamental enquanto investidores de longo prazo, logo fundamentais para o suporte dos balanços de muitas indústrias mundiais. Têm assim um papel fundamental na retoma económica que irá ocorrer no pós-pandemia.  

Instado como exactamente o sector sentirá os efeitos do Covid-19, este não titubeou. “Desde logo, com a suspensão dos voos, diminui a carteira dos seguros de viagem e, com o encerramento temporário dos hotéis – com previsão mínima de quatro meses – e obrigatório de outras actividades económicas, que levarão à diminuição do Seguro Obrigatório de Acidentes de Trabalho”, afirma.

Luis Vasconcelos – Ímpar

A este quadro, Luís Vasconcelos junta a diminuição do consumo e o encerramento dos hotéis que, afirma, baixará as importações e levará à diminuição dos seguros de transporte de mercadorias e dos seguros de responsabilidade Civil, que têm os prémios associados à facturação das empresas. E, com a diminuição da facturação das empresas e dos hotéis, os prémios desses seguros também irão diminuir. “Muitos investimentos serão adiados, logo não haverão todos os seguros que esses investimentos iriam necessitar.”

Para minimizar estas perdas, o CEO do Grupo Ímpar garante que a primeira decisão que vem à cabeça de um gestor é a contenção dos custos e o requacionamento dos investimentos. E, na Indústria Seguradora, não é diferente. Os momentos de crises, refere, tornam os gestores “mais racionais” na sua actuação, eliminando o supérfluo e concentrando-se no essencial, não esquecendo o papel fundamental da responsabilidade social das empresas e o apoio ao sistema nacional de saúde que, a seu ver, é um desígnio nacional do qual não poderão estar ausentes.

Confrontado sobre possíveis estratégias para reerguer a economia no pós-crise, este gestor cita a decisão da Impar, enquanto acionista, de não distribuir dividendos no Banco Cabo-verdiano de Negócios este ano, reforçando assim a capacidade da instituição, a qual será fundamental durante nesta fase de mitigação dos efeitos e crucial no pós-pandemia. Isso não obstante admitir que as medidas anunciadas pelo Governo são de “grande coragem” e irão mitigar os efeitos do apagão momentâneo na economia.

Estas medidas não abarcam directamente a Indústria Seguradora, mas esta irá beneficiar dos resultados dessa mitigação, diz. Luis Vasconcelos faz questão de frisar que o ramo segurador cabo-verdiano não precisava de nenhuma medida específica e que está capacitado para desempenhar o seu papel de corpo protector da sociedade. O mais importante por agora, diz, é o comprometimento dos cabo-verdianos na prevenção e salvaguarda do bem mais precioso, a vida.

Ansiedade e receios

Já o director de marketing da Garantia Seguros defende que se sente, neste momento, alguma ansiedade e receio da parte dos clientes e colaboradores, até porque todos estão a aprender a lidar com esta situação de Estado de Emergência. Exactamente por isso, enquanto empresa que “lidera o mercado” – não só a nível dos negócios, mas também no desenvolvimento tecnológico e na inovação -, a seguradora acredita que pode dar uma boa resposta aos cabo-verdianos através dos seus canais digitais e complementares. Logo, o apelo é no sentido destes – clientes e colaboradores – utilizarem o My Garantia, o Garantia Mobile, o www.garantia.cv, o garantia@garantia.cv, o telefone, as redes sociais, cumprindo assim os desígnios  #JuntosNaPrevenção #NuFikaNaKasa.

Victor Andrade – Garantia

Confiante, Victor Andrade prefere não falar em impactos, para além da tendência que já se começa a registar de uma diminuição do movimento nas agências e do aumento da utilização dos canais digitais. “Com o eclodir da pandemia, a nossa principal e primeira preocupação foi no sentido de ativarmos o Plano de Contingência, colocando os nossos colaboradores em regime de teletrabalho e simultaneamente garantir a mesma qualidade de serviço, eficiência e eficácia. Temos conseguido isso sem sobressaltos graças a nossa forte vertente inovadora de base tecnológica.”

Este responsável de marketing não descarta possíveis prejuízos no sector dos seguros, lá mais para frente. No entanto, admite que a Garantia terá de reajustar alguns variáveis do ponto de vista do negócio, tendo em conta a conjuntura actual e o cenário de incerteza. Até lá, enquanto seguradora com a missão de garantir segurança e proteção, principalmente das pessoas, e com forte envolvimento com a comunidade, através da sua política de responsabilidade social, mostra-se disponível para apoiar o Governo naquilo que for possível para juntos lutarem esta guerra pela vida.

Por isso mesmo, a Garantia também não definiu nenhuma estratégia pós-crise. “Esta crise coloca-nos a todos perante uma grande incerteza, pela sua duração e pelos efeitos. Estamos a acompanhar a situação e a tomar as medidas que se impõem em cada momento, com um forte apoio do Grupo Fidelidade a que pertencemos e que tem operações em quatro continentes. Para já, a nossa preocupação está centrada nas pessoas e em garantir que continuamos a cumprir com o que os cabo-verdianos e o país esperam da sua seguradora de referência e líder”, reforça Víctor Andrade.

Em relação às medidas de incentivo divulgadas para o sector financeiro nacional, este realça que são direccionadas para a banca. Este admite, entretanto, que tem havido o diálogo necessário, quer com o Governo, quer com o Banco de Cabo Verde, enquanto regulador do sector segurador para se tomar as medidas necessárias ou possíveis face aos cenários que se perspetivarem. Um exemplo recente, diz, foi a sensibilização do BCV para que a Polícia Nacional não coloque entraves na aceitação dos comprovativos e recibos de pagamentos feitos nos canais digitais.

“Neste momento diria que, para evitar mal maiores, temos de estar seguros. Manter os seguros em dia  seja em que momento for é um principio básico de proteção e segurança social que evita males maiores”, assevera Andrade, que aproveita para dizer aos cabo-verdianos para não se precipitarem em socorrer-se de anulações de seguros, principalmente no ramo automóvel, por suas viaturas estarem paradas. Isto porque, para além de poderem precisar delas, o seguro pode evitar males maiores e a “Garantia está aqui para apoia-los e garantir que a vida não pare”.

Constânça de Pina

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DNS

Covid -19: Novos casos suspeitos na Boa Vista, Porto Novo, S. Vicente e Santiago

Cabo Verde não tem até agora nenhum caso de transmissão local do novo coronavírus, ou seja, segundo Artur Correia, os quatro confirmados na Boa Vista e Santiago são todos importados. Entretanto, há 11 novos casos suspeitos, sendo cinco na ilha da Boa Vista, um na cidade do Porto Novo, um em S. Vicente, um no Tarrafal de Santiago e três na cidade da Praia. A informação foi avançada esta manhã pelo Director Nacional da Saúde (DNS), que deixou claro a hipótese de surgimento de mais situações suspeitas. Até o momento, a idade mínima das pessoas sob observação é de 19 anos e vai até os 62 anos, para um país com uma população essencialmente “jovem”.

Em conferência de imprensa, Artur Correia justificou a possibilidade do surgimento de novos casos suspeitos em Cabo Verde com uma maior capacidade de seguimento aos doentes sob quarentena domiciliária e nos hotéis. “Estamos a concentrar todos os nossos esforços no seguimento desses doentes. Temos cerca de 40 médicos na Linha Verde por detrás dos enfermeiros que estão de prontidão para responder, esclarecer e detectar precocemente eventuais casos que possam ser depois encaminhados para os serviços de saúde se houver necessidade.”

Ainda hoje, associada à Linha Verde, haverá uma extensão de atendimento psicológico com um grupo de 15 profissionais para apoiar as pessoas em quarentena nas casas e nos hotéis, e a população em geral. A ideia é, com esta ajuda psicológica, diminuir a ansiedade das pessoas e contribuir para manter o clima de serenidade e confiança e também para apoiar os profissionais de saúde que, segundo o DNS, precisam desta ajuda. 

Neste momento, as medidas estão a ser reforçadas e queria agradecer o apoio que as empresas têm manifestado ao Serviço Nacional de Saúde. Desde logo a CV Telecom pela prontidão demostrada na montagem da Linha Verde e a sua extensão para a área da psicologia e outras empresas que têm estado a manifestar interesse em colaborar, inclusive na aquisição de equipamentos.”

Em relação aos casos suspeitos, Artur Correia aproveitou para esclarecer que não se pode ter o mesmo significado popular. Trata-se, afirma, de uma linguagem puramente técnica. “Há um conjunto de critérios clínicos e epidemiológicos que classificam um caso como suspeito. Por exemplo, um doente tem de apresentar sintomas e ter ligação a um país onde há transmissão activa ou um caso positivo”, explica. 

23 testes realizados

Deste modo, as pessoas em quarentena no país domiciliaria ou nos hotéis não são suspeitas. É por isso, diz o médico, que está a ser feito o seguimento para, no momento em que manifestarem algum sintoma, serem analisadas e classificadas ou não como suspeitas. “Se fossem suspeitas à entrada no país, iriam directamente para o isolamento nas estruturas de saúde, onde seria feita a recolha de amostra para confirmação ou não da suspeição  técnica”, clarifica. 

Já as pessoas que tiveram contacto directo com os casos confirmados foram submetidas a exames, perfazendo neste momento, a nível nacional, um total de 23 testes realizados a pessoas que estavam em seguimento e que apresentaram sintomas. Quanto ao cabo-verdiano de 43 anos que se encontra internado no Hospital Agostinho Neto, o Director Nacional de Saúde, Artur Correia, garantiu que este não apresenta problemas de maior. 

Constânça de Pina

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Arlindo do Rosario

Ministro da Saúde confirma primeiro caso positivo de covid – 19 na cidade da Praia

O ministro da Saúde confirmou hoje, em conferência de imprensa, o primeiro caso positivo de coronavírus na cidade da Praia. Trata-se, segundo Arlindo do Rosário, de um cidadão nacional de 43 anos, que regressou ao país no dia 18 de março,  vindo da França e Portugal, data em que Cabo Verde encerrou as fronteiras aéreas e marítimas. 

É um caso importado que, de acordo com o ministro da Saúde, estava em quarentena desde que chegou ao país. “Desde a chegada a sua chegada, este cidadão tem sido acompanhado pela equipa sanitária da Delegacia de Saude da Praia, com contactos directos, assim como todos os outros que chegaram no mesmo voo. Logo que começou a apresentar sintomas respiratórios, a DS enviou uma ambulância à sua casa e o doente foi transportado ao Hospital Agostinho Neto. Foi-lhe realizado o teste e, ontem a noite, tivemos o resultado positivo”, explica Do Rosario. 

De acordo com este governante, clinicamente este cidadão apresenta sintomas respiratórios leves, sem febre e sem falta de ar e encontra-se internado no espaço de isolamento daquele estabelecimento de saude. Entretanto, durante o dia de hoje serão feitos rastreios nos contactastes mais próximos, assim como um levantamento em relação aos outros passageiros que viajaram como este cidadão no voo de regresso.

Paralelamente, o Governo deverá reunir no final da manhã de hoje para, da mesma forma que foi feito em relação à Boa Vista, tomar medidas em relação a Santiago e demais ilhas. Quando ao cidadão inglês falecido, segundo o ministro da Saúde, foi sepultado ontem em Cabo Verde, após informações, via Ministério dos Negócios Estrangeiros, das autoridades inglesas e familiares, por medida de segurança. “Em relação à paciente holandesa, o seu estado clinico é grave. Mas ela deverá ser evacuada ainda hoje. Virá um avião para fazer a evacuação”, acrescentou.

De referir que a ilha da Boa Vista não regista nenhum outro caso positivo, excepto os dois confirmados e o morto. Arlindo do Rosario garantiu que todas as amostras colhidas na ilha em termos de rastreio chegam na cidade da Praia ainda hoje para serem analisados no laboratório de citologia. As respostas serão conhecidas amanhã.

Santiago em quarentena

Questionado se a ilha de Santiago vai ser colocada em quarentena, o ministro da Saúde lembrou que Cabo Verde está neste momento em “Estado de Contingência”, que determina as medidas a serem implementadas não só por ilha, mas uma abordagem nacional. “O que temos vindo a fazer até agora é adoptar medidas de antecipação e têm resultado. O Governo tem dado um passo à frente em relação a esta pandemia. Acredito que ainda hoje o PM informará as próximas medidas.”

Já relativamente ao reforço ou substituição da equipa medica destacada na ilha da Boa Vista, Arlindo do Rosário garantiu que o Governo está a pensar Cabo Verde como um todo. Neste sentido, está-se a prever, em primeiro lugar, a reorganização dos serviços hospitalares, que será comunicado a população. Esta implica, na sua opinião, a redução ou suspensão de algumas consultas, nomeadamente das Externas, tendo sempre o cuidado de privilegiar as especialidades de maior demanda. “Vamos ter de assegurar o que é preciso e dar atenção ao seguimento das doenças crónicas, como as diabetes. Iremos dar orientações claras para todos os serviços de saúde, quer a nível central, regional e local, e estas serão repassadas a população.”

Com esta medidas, Arlindo do Rosário acredita que os recursos humanos serão alocadas por uma melhor gestão desta situação de crise, sendo que todos os cenários já foram definidas por um “task force” que trabalha junto do ministério da Saude e que é constituída por técnicos e dirigentes dos vários departamentos. “Há neste momento todo um fluxo criado de comunicação interna dentro das estruturas de saúde para facilitar os serviços. Não estamos a pensar apenas na ilha da Boa Vista.”

Neste momento, a ilha da Boa Vista passa por uma desinfestação a cargo da equipa de Protecção Civil e que conta com envolvimento dos militares. 

Constança de Pina

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Covid 19

Testes descartam infecção pelo Covid-19 a suspeito internado no HBS

Deu negativo o teste ao cabo-verdiano de 32 anos que estava sob vigilância no hospital Baptista de Sousa, por suspeita de estar infectado com o coronavírus Covid-19. Conforme informação avançada há momentos pelo Ministério da Saúde, o último dos seis casos suspeitos anunciados na quarta-feira não confirma contágio pelo vírus.

O indivíduo fazia parte de um grupo de seis pessoas suspeitas de estarem infectadas, composto por três cabo-verdianos regressados de Portugal e três turistas – sendo um da Inglaterra e um casal dinamarquês – residentes em S. Vicente, Santo Antão, Sal e Boa Vista. Deste leque constava o inglês de 62 anos que acabou por ser o primeiro caso positivo de Covid-19 em Cabo Verde, mais precisamente na ilha da Boa Vista.

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Iates

Covid -19: Governo impõe inspecção sanitária às embarcações de recreio

Todas as embarcações de recreio que abordam as baías e marinas de Cabo Verde estão a passar por uma inspecção sanitária antes do desembarque dos passageiros e tripulantes deste ontem, sábado, conforme o ministro da Economia Marítima. Paulo Veiga, que falava à imprensa na manhã deste domingo, explicou que a decisão foi tomada depois de uma chamada de atenção na sexta-feira, feita pelo delegado da Saúde, para esta fragilidade, no sector marítimo, que é da responsabilidade do MEM. 

De acordo com o ministro da Economia Marítima, diante desta constatação, todas as autoridades envolvidas, nomeadamente a Enapor, o Instituto Marítimo e Portuário, a Policia Marítima, a Guarda Costeira e também os privados que são donos de marinas em instalações que recebem barcos de recreio reunir e decidiram adoptar algumas medidas preventivas. 

“Decidimos que todas as embarcações de recreio que abordam as nossas baías e marinas terão de ter a inspeção sanitária. Decidimos ainda que a Polícia Marítima, em concertação com a Guarda Costeira, irá reforçar a vigilância na baia, para controlar estas embarcações, utilizando video vigilância da Enapor e radares do Centro de Coordenação de Busca e Salvamento e Cosmar, Seacop e Marine Trafic”, detalhou Paulo Veiga, que realçou ainda o facto de a Enapor e o IMP estarem neste momento a dar orientações as delegações para cumprir estas directivas.

A tutela da Economia Marítima acredita que, usando tudo isso, Cabo Verde poderá evitar ou minimizar a chegada do Covid-19. Neste sentido, frisou, já amanhã, segunda-feira, o Gabinete de Emergencia voltará a reunir para analisar possíveis medidas adicionais, que poderão ser tomadas pela tutela em concertação com os ministérios da Administração Interna e Defesa. 

Instado a confirmar se foi interditata a entrada de um navio de cruzeiro na baía do Porto Grande esta semana, Paulo Veiga explicou que, neste caso, tratou-se de uma decisão tomada pela Enapor e pelo IMP que acordaram que todas as embarcações do tipo que abordarem os portos em Cabo Verde por esta altura terão de ser consultados, antes da atracação, para saber se têm condições ou doentes a bordo com sintomas. “Se tiverem, os cruzeiros não serão autorizados a atracar”, garantiu o MEM. 

Este garantiu no entanto que ainda não há decisão no sentido de suspender a entrada de navios de cruzeiro no país, mas que o assunto será também analisado na reunião do Gabinete de Emergencia.“Por agora, vamos fazer inspecções às embarcações de recreio, da mesma forma que já fazemos nos aeroportos e nos portos do país. Amanhã decidiremos também o prazo de aplicação desta medida mas, em principio, deverá passar a vigorar independentemente desta pandemia ser controlada.”

Ou seja, diz o ministro da Economia Marítima, a ideia é implementar a inspeção sanitária às embarcações de recreio a titulo definitivo.

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Ulisses Correia e Silva

Coronavírus: Governo vai recrutar 100 trabalhadores da saúde para portos, aeroportos e áreas de isolamento

O Governo vai recrutar 100 trabalhadores do sector da saúde para os portos, aeroportos e espaços de isolamento. O anúncio foi feito pelo Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, no encontro ocorrido hoje na cidade da Praia onde foi ainda apresentado o Plano Nacional de Contingência para combate ao Covid-19. Este afirmou ainda que eventos  internacionais realizados no país que reúnam um número elevado de participantes vindos dos países com a epidemia devem ser cancelados e que a medida é valida até 30 de Junho.

A par deste Plano de Contingência, Correia e Silva lembrou que um conjunto de medidas já está em curso no país, designadamente a mobilização do montante de 77 mil contos do Orçamento do Estado. “Não ficamos à espera da ajuda externa”, escreveu o Chefe do Governo na sua página no Facebook, onde revela ainda que 38 mil contos foram alocados à compra de equipamentos medico-hospitalares e de protecção individual. 

Outras medidas adoptadas foram a criação de capacidade para se ter no país um laboratório de citologia para realização de testes para o coronavírus ainda este mês, o reforço da vigilância aeroportuária e a interdição de voos provenientes da Itália, tendo em conta a prevalência de casos. Esta última, refere o PM, vai ser prorrogada até 30 de Abril. Mas a decisão, indica, vai ficar sujeita a avaliação regular da situação da epidemia naquele país. 

Quanto aos voos provenientes de outros países, nomeadamente da França, Portugal e Espanha, vai ser mantida vigilância e triagem apertada nos aeroportos. Já os eventos internacionais realizados em Cabo Verde e que reúnam números elevados de participantes vindos de países assinalados com a epidemia do Covid-19, devem ser cancelados até 30 de Junho.

Apesar de Cabo Verde ser, até agora, “um país livre do coronavírus, é preciso dizer que nenhum país está livre de ter casos suspeitos ou comprovados. A realidade que acompanhamos demonstra isto mesmo”, justificou Ulisses Correia e Silva. Para o Chefe do Executivo, a melhor opção é estarmos preparados para qualquer eventualidade. É neste contexto que, diz, o plano nacional de contingência ao Covid-19 foi apresentado.

Constança de Pina

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Carnaval Flores Vindos e Estrela

Vindos do Oriente, Flores do Mindelo e Estrela do Mar abandonam a Ligoc-SV

Os grupos Vindos do Oriente, Flores do Mindelo e Estrela do Mar decidiram abandonar a Liga dos Grupos Oficiais do Carnaval de S. Vicente. A medida foi comunicada esta tarde em conferência de imprensa na cidade do Mindelo e tem por base situações relacionadas com a direcção executiva da Ligoc, a forma como foi feita a formação dos jurados e a própria avaliação dos quesitos deste concurso pelos júrs das três cabines.

“Não constitui surpresa para ninguém que este carnaval foi motivo de perplexidade para a maioria dos mindelenses e até para quem veio de fora assistir o desfile”, começou por frisar a jursta Eva Marques, que adiantou que ela e a colega Dirce Vera-Cruz fizeram uma análise exaustiva dos documentos fornecidos pelo júri que revelo uma série de anomalias na condução do Carnava 2020. Falhas que, diz, acabaram por justiifcar a medida tomada pelos três grupos e que será depois comunicada à Liga.

Questionada sobre o alcance desta decisão, Marques esclarece que ela não significa que os referidos grémios vão dar as costas ao Carnaval, mas antes de tudo que deixaram de pertencer à Ligoc-SV. Por aquilo que o Mindelinsite pôde perceber, os grupos agora desvinculados da Ligoc não descartam a possibilidade de criar uma outra Liga do Carnaval. Mais pormenores na edição de amanhã deste jornal.

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Mandinga

Jovem agredido com uma facada no pescoço no ‘enterro’ do Carnaval de São Vicente 2020

Um jovem de 21 anos, residente na Ilha da Madeira, foi agredido com uma facada no pescoço no término do desfile de mandingas que marcou o enterro do Carnaval de S. Vicente 2020 e que juntou uma multidão impressionante. Fonte do Hospital Baptista de Sousa abordado por Mindelinsite garante que o jovem está neste momento no bloco operatório do Hospital Baptista de Sousa, contrariando as informações iniciais que apontavam para a morte do jovem, pelo que prometemos continuar acompanhar este caso e avançar com mais informações, logo que for possível.

Esta festa começou por volta das 14 horas. Nesta altura, todos os caminhos conduziam ao estaleiro dos mandingas da Ribeira Bote, na Ilha da Madeira, onde um número significativo de pessoas se preparava para o maior desfile do Carnaval de São Vicente. Espremiam entre as ruelas estreitas da zona para se aproximar o máximo possível do estaleiro. Lá alguns artistas de ocasião davam retoques no “caixão” feito de papelão, que seria descartado no mar no final do desfile, simbolizando o enterro da festa do Rei Momo, enquanto os tambores se aqueciam para a festa, que prometia ser longa. 

A expectativa era grande. E nem a morte de uma pessoa, a poucos metros dos estaleiro, desanimava os foliões. “Uma pessoa querida para os mandingas faleceu hoje. Fomos falar com os familiares, que não viram qualquer problema em continuar com o nosso desfile. Por isso decidimos prestar-lhe uma homenagem antes da partida”, explicou ao Mindelinsite, “Totone” Monteiro, que neste momento dá a cara pelos Mandigas de Ribeira Bote, em substituição do presidente, ausente por motivo de doença. 

O cortejo partiu de Ilha da Madeira mas, em frente ao Mercado da Ribeirinha, engrossou com os grupos de mandingas oriundos de todas as zonas, mas também com muitos populares. A partir de então o número de pessoas só aumentou até o final do desfile, na “Praia d’ Cachorro”, no lado direito do Floating Studio. Ocupavam ruas, passeios, parapeito, janelas e varandas das casas, sempre com o móvel a registar a movimentação.

Totone fala em milhares de pessoas. “Temos tido, ao longo de todos os domingos, um grande número de pessoas nos nossos desfiles. Mas hoje a expectativa era enorme porque toda a população da ilha estava a espera do ‘enterro do Carnaval. Vieram pessoas de outras ilhas e da Europa propositadamente para participar deste certame”, celebrava o chefe dos mandingas, que fala em 10 a 12 mil pessoas, sendo arrastados por uma potente bateria e por um trio com grandes nome do Carnaval de São Vicente, entre eles Paulo Bloc, Edson “Sampê” Oliveira e Anisio Rodrigues. 

Balanço positivo 

Apesar do número de pessoas, Totone fazia, a meio percurso, um balanço positivo, principalmente porque, afirmava, este ano, ao contrário dos anteriores, não receberam nenhum advertência da policia. “Todos os nossos desfiles decorreram sem percalços. As vezes, depois que regressamos ao estaleiro, acontecem escaramuças ou brigas, incluindo com alguns feridos de arma branca, que nada tem a ver com o nosso desfile. Mas as pessoas acabam por associar estes incidentes aos mandingas”, lamentava

Questionado sobre as razões para esta grande adesão das pessoas aos mandingas em S. Vicente, este limita a dizer que paixão não se explica e nem se justifica. “Cada dia recebemos mais gente no nosso estaleiro que querem desfilar com os mandingas. As nossas portas estão abertas. Recebemos pessoas de todas as zonas da cidade, mas também de fora, por exemplo de Salamansa. Vêm gente de outras ilhas e também da diáspora. Muitos estrangeiros que etno de visita ou residente na ilha também querem pintar com carvão e participar no no nosso desfile. É um amor sem limite”

Neusa Rodrigues concordava com Totone. Ao Mindelinsite, esta jovem da Ribeira Bote contava que experimentou vestir de mandinga uma vez e nunca mais parou. Hoje assume-se como uma “mandinga losers”. “Gosto de vestir o personagem, pintar de carvão e fazer a dança dos mandingas. Entro completamente no espirito. Hoje espero ansiosamente por esta altura do ano para mostrar o meu amor pelos mandinga. E não penso parar nunca”.

O mesmo discurso era repetido pela fotografa italiana Natacha que, apesar de não entender e nem falar português correctamente, cantava e dançava todas as músicas dos mandingas. “Vim da Itália para assistir o Carnaval, mas gosto particularmente dos mandingas. É o meu terceiro ano  aqui e penso voltar no próximo ano, se Deus quiser. Faço questão de pintar com carvão, vestir saias de saco e divertir nos desfiles de mandinga”, refere. 

Os mandingas contam com apoio da Câmara Municipal de São Vicente, de varias empresas sediada na ilha e que têm se aproximada espontaneamente destes grupo e da própria população. A prova disso foi a acção de solidariedade realizada no primeiro domingo de desfile dos mandingas e que mobilizou uma grande quantidade de alimentos perecíveis, que foi entregue a família afectada pelo incêndio numa residência na Pedra Rolada, no dia 31 de Dezembro, e que vitimou três crianças.  

Nada previa a noticia do final do desfile, que apontava para a morte do jovem Fabi, de 21 anos, entretanto prontamente desmentida por fonte do hospital. Este confirmou a agressão, mas garantiu que o jovem estava no bloco operatório. Por esta altura, um grande numero de pessoas está concentrado na porta do Banco de Urgência do HBS a espera de informações sobre este jovem. Mas o hospital ainda não emitiu qualquer nota, pelo que prometemos retomar o assunto posteriormente.

Constança de Pina

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