Ligoc apresenta site com manual do julgador: Monte Sossego abre o desfile e Cruzeiros fecha

A Liga Independente dos Grupos Oficiais do Carnaval de São Vicente fez ontem a abertura do Carnaval 2019 no Mindelo com o lançamento do website e o sorteio da ordem de desfile dos grupos. Monte Sossego será o primeiro a entrar na Rua de Lisboa às três da tarde, seguido do Flores do Mindelo, Estrela do Mar e, para fechar,  o Cruzeiros do Norte, com meia hora de intervalo entre eles. Os presidentes dos grupos aceitaram com naturalidade a posição que calhou cada um e prometeram uma forte competição.

Do lado de Monte Sossego, António Duarte disse que Montsu está acostumado a sair em primeiro lugar e com pontualidade. Aspecto fundamental para a pontuação, que promete cumprir para poder almejar a reconquista do título.

O grupo de Cruz declarou-se “contente pelo resultado e preparado para o carnaval”, na voz do presidente Jailson Juff. A mesma reacção teve a responsável de Flores do Mindelo. Mais ambicioso e sem papa na língua mostrou-se o grémio Estrela do Mar, que revelou o objetivo nesse seu regresso ao carnaval: “entrar para ganhar”.

Neste evento, em que estiveram presentes dirigentes de todos os grupos oficiais, o presidente da Ligoc deu a conhecer o website da Ligoc, plataforma onde a liga promete disponibilizar informações desta “grande” manifestação cultural da ilha do Monte Cara. “Disponibilizamos no site informações do carnaval de 2008 à presente data. Está lá todo o historial e a nossa missão, que é explorar este produto cultural que temos. A página apresenta ainda os grupos, os seus enredos, música entre outras mais valias”, afirma Marco Bento. O regulamento é outro dos itens constante nesse espaço virtual, bem como o manual dos jurados, com os requisitos a serem avaliados e o mapa do percurso. As grandes novidades no carnaval do Mindelo que a LIGOC-SV promete implementar no site a partir deste ano serão a revelação dos resultados, seguidos da justificativa dos jurados por cada atribuição feita.

O site estará disponível a partir de 1 de Fevereiro, porque, de acordo com os seus mentores, faltam outras informações.

A noite foi para conhecer os enredos dos grupos, excepto do Estrela do Mar que só irá revelar o seu no dia 2 do próximo mês.

Hoje os grupos darão início aos ensaios para o desfile do dia 5 de Março.

Sidneia Newton (Estagiária)

 48 total views

Déx: “A arte é o meu oxigénio”

O artista mindelense Eurico Ramos, ou simplesmente Dex, vê na arte mais do que uma forma de sustento – o seu oxigénio. Especializado “pela escola da vida” como artesão, músico, cartunista e em acabamento de andores do carnaval, recentemente vem se envolvendo em pinturas corporais.

No ano passado foi a sua estreia e, para este pintor de carreira, pintar os corpos das musas é como desenhar sobre obras-prima da natureza humana. “A mulher é a oitava maravilha do mundo e foi um desafio fácil”, poetiza o artista, em tom de brincadeira.

Concorda existir um preconceito em relação a este tipo de pintura, por trabalhar com o corpo da mulher total ou parcialmente desnuda, mas coloca o profissionalismo em primeiro lugar. Deste modo, assegura, consegue passar tranquilidade e confiança às suas “telas humanas”. Cada pintura corporal, que substitui a fantasia no carnaval, demora em média três horas a ganhar vida.

“Nunca ninguém me ensinou nada. Aprendi tudo sozinho e desde os meus seis anos que trabalho para o carnaval do Mindelo”, assegura Déx. Como diz, aos seis anos fez um desenho de um astronauta e “nhô Goi”, presidente do antigo grupo Vindos do Espaço, pegou no mesmo e usou num projeto dessa agremiação carnavalesca.

Dex transfere a responsabilidade do seu “amor pelo carnaval” ao facto de ter nascido no mês de Fevereiro, há quase 48 anos. O seu trabalho já o levou a trabalhar com diferentes grupos no Mindelo, na projeção de andores e este ano está comprometido com a Escola de Samba Tropical, que aposta no tema Blimunde. “As pessoas estão satisfeitas com meu trabalho porque é um trabalho educativo, para relembrar aos mais jovens a nossa origem. Infelizmente, vejo muitas coisas que não concordo no nosso ensino, que pouco ou nada aborda Cabo Verde, na sua cultura e tradição”, lamenta o artista. Com seu trabalho, afirma, tenta dar primazia à raiz crioula, pela paixão assumida pelo seu país.

O jeito para o desenho e a “chama” pela arte fez de Déx, além de pintor, um cartoonista. Enquanto cartunista, o seu maior alvo tem sido a política. Hoje dedica a sua vida ao carnaval, à música e ao artesanato, fabricando miniaturas de instrumentos musicais. Eterno apaixonado da expressão artística, Déx diz que só irá morrer quando a arte deixar de existir.

Sidneia Newton (Estagiária)

 24 total views

Caixões com emblemas de clubes entram no mercado mindelense: Juntos até na morte

A agência funerária Freitas e Fortes resolveu inovar na sua oferta de caixões e importar para São Vicente urnas personalizadas, destinadas aos “fanáticos” dos clubes de futebol. O primeiro teste incluiu a importação de urnas com símbolos dos três maiores emblemas portugueses. O caixão do Benfica foi o primeiro a ser encomendado, seguido de o do Sporting e por último… FC Porto.

Foram apenas três caixões que a agência importou e que tiveram saída garantida em S. Vicente. “Queríamos perceber o impacto dos caixões com imagens de clubes na nossa sociedade, com receio que as pessoas levassem isso a mal, pensando que estivéssemos a brincar com um tema sério. Por isso trouxemos este número limitado de urnas”, explica Cely Freitas. Esta fonte, filha da proprietária da empresa, foi quem teve a ideia de incluir emblemas de clubes na “montra” de caixões. Pouco tempo depois ficou a saber de uma parceria do Sport Lisboa e Benfica com outra agência funerária, mas que não incluía imagens dos clubes, como aquelas que “desenhou”.

“A nossa família vive o futebol intensamente, somos torcedores do Mindelense, por isso tive a ideia de proporcionar aos familiares dos malogrados uma forma de homenagearem os seus entes”, explica. Para ela, se alguns mortos pudessem escolher, prefeririam “sem dúvida” ser enterrados numa urna do seu clube do peito.

“Dona” Lili Freitas, gerente da casa funerária, acrescenta que a confiança de anos que mantem com os seus fornecedores em Portugal faz com que tenha abertura para encomendar caixões personalizados de todo o tipo. Por isso não descarta a possibilidade de trazer urnas exclusivas para torcedores de clubes nacionais. “Foi um teste que fizemos. Percebemos que no início as pessoas ficam meio reticentes, a recear o que os outros vão pensar. Mesmo assim recebemos pedidos para caixões de outros clubes que já não estavam mais à venda. Por isso acredito que em breve teremos mais disponíveis”, promete Lily Freitas, que abriu a sua agência depois de ter sido mal atendida por outra empresa num momento de luto, nos anos noventa. Resolveu fundar a sua própria empresa, diz, para proporcionar mais dignidade aos mortos e apoio às famílias enlutadas.

Sidneia Newton (Estagiária)

 48 total views

Samba nega comentar “assalto” de VO: “Estamos focados em suplantar o desfile anterior”

O Samba Tropical negou comentar a intenção do Vindos de Oriente de fazer um assalto com 1000 foliões na noite em que esse emblemático grupo costuma desfilar a solo, no Carnaval do Mindelo. Segundo David “Daia” Leite, o Samba está apenas empenhado em levar o habitual brilho às ruas d’morada no dia 4 de Março, sem defraudar a expectativa do público. O nosso foco é esse e não faz sentido virmos neste momento comentar as intenções e o trabalho de um grupo”, diz Daia.

Os trabalhos do ST, garante o presidente do grémio, estão a correr de vento em popa: os estaleiros foram montados em Novembro, a construção do carro alegórico começou em Dezembro e os ensaios prontos a arrancar no dia 2 de Fevereiro no campo da Academia Carlos Alhinho, no centro da cidade. Além disso, acrescenta, a Câmara de S. Vicente libertou a primeira tranche da ajuda financeira em Janeiro, o que facilitou o trabalho logístico.

Por esta e outras razões, o chamado “grupo de segunda-feira à noite” conta superar o desfile do ano passado, que foi dedicado à diva Cesária Évora. Este ano, o enredo irá gravitar em torno de Blimunde, figura central de uma lenda que narra a estória de um boi gigantesco, inteligente e amante da liberdade na majestosa ilha de Santo Antão.

“Na verdade, a fábula de Blimunde simboliza a resiliência do povo cabo-verdiano. Era um boi descomunal que prezava a liberdade e que ninguém mandava nele, nem mesmo o Rei. Mas ele acabaria por ser enganado pelo Rei, que no fundo representa o poder”, conta David Leite, presidente do Samba Tropical, grupo que decidiu mergulhar-se na essência da cultura popular cabo-verdiana, mas sem expressar isso de forma realística.

Este ano, o som do Samba e dos grupos oficiais deverá propagar-se com toda a sua potência por todas as artérias da cidade do Mindelo. Tudo indica, segundo Daia Leite, que o prometido sistema sonoro será finalmente instalado em todo o circuito. “Ainda não é oficial, mas a Câmara de S. Vicente e a Ligoc têm estado a trabalhar nesse sentido e tudo indica que teremos esse sistema pronto este ano”, adianta o presidente do Samba Tropical, para quem, se as coisas correrem como previsto, o Carnaval de São Vicente irá dar um salto qualitativo sem precedentes.

KzB

 56 total views

Flores do Mindelo vai acender 140 velas a Mindelo: Visita de Príncipe do Mónaco a S. Vicente foi a grande inspiração para o enredo

A visita oficial do príncipe Alberto II do Mónaco a Cabo Verde em Setembro de 2017 serviu de inspiração e até de ponto de partida para o enredo que o grupo Flores do Mindelo vai apresentar no desfile carnavalesco deste ano, com o título Um monte com cara de gente e um monte de gente cara. O motivo é simples: no dia 21 desse mês, sua alteza ofereceu ao presidente Jorge Carlos Fonseca, na cidade do Mindelo, uma prenda de alto valor científico e recheado de simbolismo: o único exemplar embalsamado de um lagarto gigante endémico do arquipélago e que foi levado para a Europa pelo seu trisavô, a quando de uma expedição científica de Alberto I a estas ilhas atlânticas, em 1902.

Segundo Emanuel Ribeiro, autor do enredo, esse acontecimento interpelou Flores do Mindelo porque acaba por dizer ao povo cabo-verdiano que, apesar das lamentações, tem o privilégio de viver num arquipélago de coisas únicas a nível da fauna e da flora, cultural, geográfico… No caso de S. Vicente, acrescenta, a ilha pode ser o Mónaco tropical, um pequeno espaço habitado por apenas 80 mil almas, mas que já produziu figuras de reconhecido mérito a nível mundial, como são os casos da Cesária Évora, vencedora de gramys, ou um Nani, que chegou a cingrou na Premier League.

“O enredo enfatiza o nosso endemismo original – do ponto de vista da flora e fauna – mas também Mindelo como cidade cosmopolita que produz personalidades de reconhecido valor internacional, apesar da sua pequena população, e o facto de termos coisas únicas no mundo como o nosso Monte Cara”, frisa Ribeiro, relembrando que Mindelo é ainda uma cidade jovem, com apenas 140 anos.

Por isso mesmo, Flores do Mindelo vai acender 140 velas na sua passagem pelo asfalto da morada para “iluminar” e dar os parabéns à cidade mais carnavalesca de Cabo Verde. Esse aspecto está presente tanto no enredo como no refrão da música, que, tal como o historial, foi revelada ontem à noite aos mindelenses. A composição “um monte de gente cara”, segundo o autor Vady, é uma homenagem às figuras mindelenses de destaque nas várias áreas, com destaque para a cultura, onde sobressaem vultos como Cise, Manuel d’Novas, Luis Morais e Biús, este último um excelente músico e animador das noites d’Mindel. “Falamos também da nossa morna, da riqueza endémica do nosso país e da necessidade de preservarmos a nossa fauna e flora. Fazer esta música deu-me um enorme prazer e espero que as pessoas venham a entender a sua essência”, comenta Vady, autor da canção do ano passado de Flores do Mindelo.

A noite de ontem serviu para FM revelar não só o enredo e a música, mas também para apresentar as suas musas, a rainha da bateria, o mestre-sala e porta-bandeira. Na verdade, o grupo não trouxe grandes novidades nesses quesitos. Volta a apostar em Laurinda Nascimento para porta-bandeira e traz Ske Évora como mestre-sala, que desfilou no ano passado pelo Vindos do Oriente. Cindimara Gomes volta a ser a rainha da bateria pelo segundo desfile consecutivo.

Ontem os segredos de Flores do Mindelo foram desvendados, mas nem tanto assim. Faltou apresentar o rei e a rainha. Com um orçamento de oito mil e 300 contos, este grupo pretende colocar nas ruas da morada 800 ou mais figurantes, três carros alegóricos, dois tripés e várias figuras de destaque.

Kim-Zé Brito

 26 total views

Cruzeiros do Norte “ressuscita” tradição do andebol e movimenta quase 60 crianças e jovens

O andebol está a regressar em força à zona de Cruz d’João Évora, graças a uma iniciativa de um grupo de antigos jogadores, mas, segundo Edson Oliveira, a adesão de crianças e jovens começa a ultrapassar a própria capacidade de absorção dos mentores. Neste momento, o grande problema reside na disponibilidade de treinadores/monitores para acompanhar os escalões juniores e de iniciação. É que, como explica Edson Oliveira, surgiram várias crianças interessadas em aprender a modalidade, mas faltam pessoas para as instruir, assim como bolas para as suas idades. Outro problema é a exiguidade do espaço, pois os treinos das equipas seniores, sub-16, sub-14 e infantis acontecem no único polivalente da localidade.

“Precisamos de pessoas formadas para nos ajudar a dar a devida atenção a toda essa gente que se mostra interessada em aprender e a jogar o andebol. Cruz tem uma forte tradição em andebol, que antecede o próprio carnaval, e queremos trazer essa modalidade de volta, depois de 4 anos sem competir nas provas oficiais”, comenta Edson “Sampê”, mentor da iniciativa.

Pelas contas deste ex-jogador do Cruzeiros do Norte, cerca de 60 crianças e jovens estão envolvidos no projecto. O desafio é criar as condições para assegurar essa demanda, que acaba por suplantar as expectativas dos responsáveis. Até porque o clube já inscreveu equipas nos campeonatos oficiais sénior masculino e feminino e mostra-se disponível para competir noutros escalões, se houver provas. “Temos muitos jovens com talent, isso prova que precisamos apostar ainda mais na modalidade. Fico admirado ao ver meninos que pegam pela primeira numa bola de andebol e executam movimentos tão bem. As pessoas costumam dizer que as crianças gostam é do futebol, mas estamos aqui a ver que isso não corresponde tanto assim à realidade. Houve uma adesão natural desses meninos e meninas ao andebol”, salienta esse também cantor.

Este ano, o Cruzeiros do Norte participa nas provas oficiais sem a pretensão de ser candidato a título. Isto porque os jogadores são na sua maioria inexperientes. Mas, segundo a nossa fonte, a cada semana a equipa vai registando um crescimento, pelo que as bases ficam lançadas para a próxima época.

O projecto, assegura Sampê, visa resgatar o andebol na zona, mas também dar uma motivação a jovens desocupados. Por outro lado, a ideia é estimular localidades como Ribeirinha, Chã d’Alecrim e Monte Sossego, as mais populosas de S. Vicente, a seguir o mesmo caminho.

Kim-Zé Brito

 26 total views

Enapor bate novo recorde no tráfego de mercadorias e regista aumento expressivo de navios cruzeiros

O tráfego de mercadorias nos portos de Cabo Verde registou um crescimento de 12,6 por cento no ano económico de 2018, cifra que, segundo a Enapor, representa um novo recorde da empresa nesse segmento. Em termos líquidos, passaram pelas infraestruturas portuárias do país nada menos que 2.595.933 toneladas de cargas diversas no ano passado.

Os dados estatísticos divulgados hoje pela empresa indicam que 2018 foi um período excepcional para no sector portuário em termos financeiros, comerciais e operacionais. Conforme reconhece a administração da Enapor, o exercício económico foi “muito positivo”, pois todos os segmentos cresceram de “forma sustentável”. No entanto, os dados mais robustos foram alcançados no movimento de mercadorias e no tráfego de navios cruzeiros.

Com base nas informações disponibilizadas à imprensa, as escalas dos paquetes turísticos aumentaram nada menos que 109% em relação a 2017. No mesmo sentido, o número de passageiros transportados por esses navios cresceu 23,9 por cento, atingindo um total de 47.099 turistas. Estes dados, na óptica da Enapor, reforçam a aposta na promoção do país como destino emergente de navios cruzeiros.

Seguindo a tendência global, o movimento de navios nos portos do país atingiu as 7.941 escalas e cresceu 8,7 por cento. O tráfego de longo curso, por sua vez, alcançou as 1.668 escalas, o que representa um salto superior aos 25 por cento.

O transbordo de pescado, conforme informa a empresa, também fechou o ano com resultados positivos, pois aumentou 13,3% em escalas de navios e possibilitou a movimentação de cerca de 35.655 toneladas de produtos, isto é, mais 7.219 toneladas do que em 2017. Relativamente ao tráfego de contentores, “outro relevante segmento do mercado portuário”, os portos cabo-verdianos receberam 86.059 TEU´S, um crescimento de 13,9 por cento.

Em 2019, garante a Enapor, a empresa continuará firme na sua missão de garantir a coesão territorial, promover a circulação de pessoas e bens e a contribuir para o desenvolvimento da economia nacional.

KzB

 110 total views

Morgadim homenageado em S. Vicente: Presidência concede 1. grau da Ordem do Dragoeiro ao compositor de “Cise”

O músico Morgadim, compositor e trompetista incontornável do emblemático grupo Voz de Cabo Verde, foi ontem à tarde agraciado pelo Presidente Jorge Carlos Fonseca com o primeiro grau da Ordem do Dragoeiro, a maior distinção atribuída a artistas pelo Estado de Cabo Verde, como reconhecimento pelo contributo dado em prol da elevação da cultura cabo-verdiana dentro e fora do país. Segundo Fonseca, o autor da célebre morna Cise é o terceiro artista que ele homenageia na qualidade de Presidente da República, depois de Bana e Catchass, decisão que para ele foi bastante simples.

“Reparei que a condecoração mais alta atribuída a artistas é a Ordem do Dragoeiro, que tem vários graus. Concedi o primeiro grau a Morgadim, o mais elevado. Como Presidente atribui esse título pela primeira vez ao Bana, como uma espécie de reparação, em vida, pelo seu trabalho. Na altura achei estranho que outros músicos de valor tivessem sido agraciados e que ainda não tivesse acontecido com o Bana.  O segundo músico a quem atribuí essa distinção foi o Catchass, a título póstumo. Agora cabe ao Morgadim esse reconhecimento, pelos seus 70 anos de carreira, um exímio trompetista, compositor, intérprete e líder porque ele foi líder de um dos grandes grupos, o Voz de Cabo Verde”, explicou JCF às várias personalidades convidadas para o evento, que decorreu no Palácio do Povo, na rua de Lisboa.

Com essa insígnia, o compositor do hino “Cabo Verde d’one 2000”, segundo ainda Fonseca, entra para um lote de reconhecidas figuras artísticas do mundo musical distinguidas com a mesma Ordem por outros Presidentes da República e que abrangem a diva Cesária Évora, o cantor Ildo Lobo e o compositor Manuel d’Novas.

No seu curto discurso, Morgadim deixou claro que nunca se entregou à causa da cultura cabo-verdiana com a ideia de ser homenageado. No entanto, prossegue o músico num tom brincalhão e jovial muito característico, reparou que artistas mais jovens estavam a ser louvados pelo que resolveu colocar-se também na “fila”. “Mas reparei que não havia ética, pois os mais jovens estavam a ser distinguidos e os mais velhos esquecidos. De modo que senti uma certa tristeza e pensei em desistir de esperar. Mas depois decidi persistir e fiz bem em não deixar a fila. Espero que os meus netos um dia possam dizer com orgulho que o avô deles participou em algo em prol da cultura da sua terra”, disse o artista, que não esqueceu os velhos colegas do grupo Voz de Cabo Verde, com os quais fez uma “longa caminhada” na sua vida, como o saxofonista Luís Morais, o pianista Chico Serra e o guitarrista Toi Ramos. O primeiro já faleceu e os dois últimos fizeram questão de comparecer na cerimónia.

“Este é um gesto louvável do sr. Presidente da República porque Morgadim merece essa e outras distinções, assim como outros elementos do grupo Voz de Cabo Verde, que marcou a sua época de forma profunda. Morgadim é um amigo especial e sempre que nos encontramos acabamos por falar dos bons e maus momentos que passamos juntos na nossa carreira artística”, confessa Toi d’Bibia, um músico que já reformou o seu instrumento, mas que se mostra satisfeito por ver que outros músicos continuam o legado do Voz de Cabo Verde.

São os casos do baixista Nolito Pinheiro e do pianista Chico Serra, que ainda carregam o nome do agrupamento aos ombros. Amigo íntimo e companheiro de palco do homenageado, Nolito Pinheiro considera merecida a distinção atribuída a Morgadim e diz esperar que figuras como Chico Serra e Toi d’Bibia também possam seguir a mesma via. “Continuo a tentar manter o legado do Voz de Cabo Verde de pé, porque, como diz Toi d’Bibia, uns perdem os postos, outros assumem os lugares. É uma grande responsabilidade manter vivo esse incontornável agrupamento, que marcou gerações com as suas músicas.”

Considerado um dos melhores pianistas cabo-verdianos, Chico Serra elogiou a atitude de Jorge Carlos Fonseca, pois, para ele, Morgadim deu e continua a dar um grande contributo para o enriquecimento do património cultural cabo-verdiano. “Foi graças a ele que entrei para o Voz de Cabo Verde. Lembro-me de ter recebido uma carta dele em 1967 a convidar-me para o grupo, porque precisavam de um pianista. Juntei-me ao grupo no ano seguinte. E devo realçar que nem nos conhecíamos”, relata Chico Serra, para quem homenagear Morgadim não deixa de ser um acto de reconhecimento pelo legado criado por Voz de Cabo Verde, um grupo que já foi distinguido pelo ex-Presidente Pedro Pires.

KzB

 28 total views

Aniversário FACV: PR elogia desempenho e contributo para segurança pública

As Forças Armadas de Cabo Verde (FACV) comemoraram esta terça-feira, 15, 52 anos da sua existência, com cerimónia na 1ª Região Militar em São Vicente, prestigiado pelo Presidente da República Jorge Carlos Fonseca, pelo Chefe de Estado-Maior das FA, Anildo Morais e pelo Ministro da Defesa Nacional, Luís Filipe Tavares. O Comandante Supremo das FA aproveitou a ocasião para alertar para os perigos da localização do arquipélago.

Na sua intervenção, Jorge Carlos Fonseca elogiou o papel e desempenho das Forças Armadas (FA) no cumprimento das suas obrigações militares, conforme previsto na Constituição e demais leis da República, assegurando a defesa do território e participando na melhoria das condições de vida das populações. Destacou igualmente o seu contributo para a segurança pública ao lado das polícias nacionais e nas missões de busca e salvamento.

O Comandante Supremo das FA aproveitou a cerimónia para fazer uma chamada de atenção para situações de perigos geográficos próximos de Cabo Verde e que pediu, no caso de ameaça, a intervenção das Forças Armadas. “O terrorismo baseado em motivos políticos e inflacionados pelo fanatismo religioso difundiu-se por todos os continentes de forma directa ou indireta e chegou à nossa sub-região, onde, através de acções bem planeadas e coordenadas, tem espalhado a morte e a instabilidade, mesmo com poucos meios. Esta realidade impõe uma vigilância e uma preparação permanente como forma de prevenir e se, necessário, enfrentar essa ameaça geograficamente próxima”.

O tráfico de pessoas, armas e drogas são outros males presentes na nossa sub-região e requerem, segundo Fonseca, redobrada atenção e um esforço de articulação permanente com outras forças e serviços com vista uma actuação coordenada e atempada. “Outro mal que tem sido constante na sub-região, concretamente no Golfo da Guiné, é a pirataria marítima, que afecta rotas comerciais vitais para o fluxo de mercadorias. O seu combate exige uma postura proactiva e uma actuação especial da Guarda Costeira, em articulação com a CEDEAO, países amigos e com os organismos internacionais”, exemplifica.

Para o Presidente da República, é tempo de se começar uma cooperação militar com os vizinhos da CEDEAO, a semelhança do que acontece com alguns países da União Europeia e com as FA dos Estados Unidos da América. “Estou certo que o mesmo pode acontecer com as Forças Armadas dos países amigos com os quais dividimos o mar, espaço onde enfrentamos as mesmas ameaças. Como se costuma afirmar, a solidariedade e a amizade no âmbito da defesa entre os países amigos é a garantia de uma melhor defesa para todas as partes envolvidas e para a construção de um sistema mais eficaz e benéfico para todos. Afinal somos todos países do mesmo continente e fazemos parte da mesma organização sub-regional – a CEDEAO”, disse.

Jorge Carlos Fonseca mostrou-se ainda satisfeito com os avanços registados no Comando da Guarda Costeira, que passou a contar com quase todos os seus meios operacionais, o que implica que os mares de Cabo Verde estão sob controlo operacional. “Espero que o processo de melhoria continue e que, cada vez mais, os nossos militares se sintam motivados para o cumprimento das suas obrigações”, assegurou.

Trabalho em várias frentes

O Chefe do Estado-Maior das forças Armadas enalteceu, por seu lado, o trabalho das FA em várias frentes, como vigilância e patrulhamento da zona económica exclusiva, protecção dos portos, evacuação de doentes, serviço de busca e salvamento, protecção ambiental e cooperação com as forças de segurança e protecção civil. “Como instituição regular e permanente, as Forças Armadas têm sabido se adequar às diferentes situações, sem perder o foco da missão nem de seus valores. Em decorrência da sua missão se mantém atento à conjuntura e preparado com os meios de que dispõe”, considerou.

Anildo Morais aproveitou a ocasião para homenagear os combatentes da liberdade da pátria e realçar o “contributo extraordinário” que estes deram para Cabo Verde. “A eles, gostaríamos de manifestar a nossa gratidão e reconhecimento de tudo o que fizeram parta que hoje estivéssemos aqui, neste momento a comemorar esta data”, indicou.

Durante a cerimónia, um grupo de militares foi condecorado com as medalhas de serviços relevantes e de comportamento exemplar como um acto de reconhecimento da acção preponderante, exemplar e louvável por eles desenvolvidas em prol da dignificação e afirmação das Forças Armadas, no seio da sociedade cabo-verdiana. “A nossa instituição nasceu com o país, cresceu ao seu serviço e é, por todos nós, mantida ao serviço de Cabo Verde. É assim com o maior orgulho e satisfação que vos saúdo e transmito publicamente o reconhecimento pela dedicação, profissionalismo e vontade de bem servir nas FA”, concluiu.

Natalina Andrade (Estagiária)

 

 27 total views

Cruzeiros inspira enredo na diversidade da CPLP: Grupo focado na conquista do título

O Cruzeiros do Norte apresentou ontem à noite o seu enredo e aproveitou para apontar o regresso às vitórias como o seu principal objectivo neste Carnaval, após cinco anos arredado do pódio. Segundo Jailson Juff, presidente do grupo por 10 anos consecutivos, reina o optimismo e alegria nos bastidores e no seio dos foliões, pelo que será possível atingir o alvo este ano. Como reconhece, no desfile passado o grupo foi bastante criticado pela sua performance, mas promete trazer mudanças e ideias novas para agradar o júri e driblar a concorrência. “Em Cabo Verde tentamos mostrar coisas diferentes, mas nem sempre tocam as pessoas. Apostamos no ano passado num enredo baseado na crítica social, mas nem todas as pessoas viram isso a partir do nosso prisma”, frisa Juff.

Para conquistar o título ostentado pelo ausente grupo Vindos do Oriente, o Cruzeiros do Norte baseou o seu enredo na irmandade da nação lusófona, com o sugestivo título “CPLP sem fronteiras ou Lusofonia sem barreiras”. O tema – desvendado numa noite cultural a centenas de foliões e representantes dos grupos oficiais e da Ligoc – foi inspirado no facto de Cabo Verde assumir a partir deste ano a presidência dessa expressiva comunidade de língua portuguesa, que abrange o Brasil, Moçambique, Portugal, São Tomé, Timor Leste, Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde. Toda esta diversidade sociocultural será expressa nos trajes dos foliões, reis e rainhas, em três ou quatro carros alegóricos e na música “Sabura sem fronteiras”, da autoria dos músicos Jotacê e Anísio Rodrigues.

O espectáculo cultural, que decorreu no miradouro sobranceiro à cidade do Mindelo, serviu para a revelação do enredo, mas também do rei, rainhas, mestre-sala, rainha da bateria, musas e do samba. Para rei, o Cruzeiros do Norte aposta no emigrante Arlindo Bandeira, residente na Islândia, ele que confessou numa mensagem em vídeo estar ansioso para ajudar o grupo a conquistar o título da realeza. Esse é também o foco da rainha Glória Cabral, emigrante na Espanha, que se mostrou radiante por estar a representar o grupo da zona onde nasceu e cresceu. “Estou ciente de que vamos fazer um excelente carnaval porque temos artistas na nossa zona”, realçou numa mensagem igualmente enviada em formato vídeo.

Zoraina Leite, filha de cabo-verdianos nascida nos Estados Unidos, é a outra aposta do Cruzeiros para a realeza. Esta será a estreia da jovem na festa do Rei Momo mindelense, pelo que confessa estar ansiosa e satisfeita pela oportunidade de fazer parte da manifestação cultural mais popular da ilha dos pais.

Andreia Gomes, mais conhecida por Pota, volta a ser a escolha do Cruzeiros do Norte para rainha da bateria. A ideia inicial do grupo era promover um concurso, mas acabou por ficar com essa passista que apresentou uma boa performance no ano passado. Tanto assim que foi vista como uma das prováveis vencedoras do concurso. Pota certamente vai usar a experiência adquirida para pegar a almejada faixa no desfile deste ano.

Valdir Gomes é o Mestre-sala, mas o nome da Porta-bandeira ficou ainda no segredo dos deuses. Conforme soube este jornal, só será revelado daqui a uma semana.

Num cenário ao ar livre, o Cruzeiros do Norte aproveitou a apresentação do enredo para homenagear Jailson Juff pelos seus 10 anos à frente do grupo. Para o efeito, fizeram uma recolha das notícias da TCV e de imagens de arquivo para mostrar o seu percurso à frente desse grémio que conseguiu ser tricampeão do Carnaval d’Soncent. Um gesto que emocionou o visado, que foi pego de surpresa.

Kim-Zé Brito

 46 total views