Sentina

OMCV-SV felicita CMSV por manter abertas “sentinas” durante quarentena

A Organização das mulheres de Cabo Verde em São Vicente (OMCV) congratula a Câmara Municipal da ilha por deliberar manter o serviço de abastecimento de água nos fontenários e sentina municipais durante este período de Estado de Emergência provocado pelo Covid-19. Esta era uma grande preocupação, sobretudo para as famílias vulneráveis devido a falta de água nas casas para levarem as mãos e para se fazer a higiene pessoal, essenciais para combater esta pandemia.

A delegada da OMCV diz esperar que esta medida seja colocada em prática nas diferentes localidades para que todas as famílias sem água canalizada em casa continuem com acesso à este bem de primeira necessidade. “Esta já era uma preocupação nossa porque sabemos a quantidade de pessoas que não tem água em casa. Se as ‘sentinas’ não estiverem abertas, dificilmente um vizinho irá abrir a porta para lhes fornecer água, até porque isto seria desrespeitar uma medida de prevenção ao contágio”, relata Fátima Balbina.

Esta lamenta, no entanto, que algumas destas fontes públicas ainda estejam com as portas fechadas, colocando como exemplo a da Ribeirinha, perto da sua residência, onde diariamente “perambulam homens, mulheres e crianças,  com os seus pequenos depósitos de vazios, em busca de água”.

Por isso, pede que a autarquia reabra o posto, ao mesmo tempo que adote medidas de segurança para evitar aglomeração de pessoas nestes espaços, com risco de contágio ao novo Coronavirus.

Para além do abastecimento de água aos fontenários, a CM da ilha do Monte Cara decidiu manter ativo o serviço de recolha de resíduos sólidos, inclusive a recolha domiciliaria, assegurando na mesma deliberação que os funcionários devem usar equipamentos de proteção individual.

A fiscalização também irá manter-se, bem como o funcionamento dos cemitérios Nossa Senhora da Piedade e do Norte de Baía. O fornecimento de inertes a empresas de construção civil também continua operacional. 

Já os mercados municipais, não obstante continuarem de portas abertas, devem trabalhar com a metade da capacidade e sob vigilância da Fiscalização Municipal e da Polícia Civil, explica ainda o documento aprovado no dia 26.


Este estatuto, que foi aprovado por unanimidade pela CMSV em sessão  ordinária e que tem como base o Plano de Contingência, traz ainda outras medidas, designadamente o encerramento de todos os seus serviços de atendimento ao público. Reduz o horário de trabalho dos serviços de limpeza pública, que passa a funcionar só de manhã, bem como o número de “piquete” de saneamento básico e de esgoto e nas oficinas municipais.

Mantém ainda a interdição aos recintos desportivos municipais, lê-se ainda nestes plano de prevenção, com prazo até 17 de Abril. Este  deve ser, no entanto, reavaliado em alinhamento com as medidas do Governo.

Sidneia Newton (Estagiária)

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Aldeias SOS

Aldeias SOS disponibiliza espaços para isolamento no Centro Social do Mindelo

As Aldeias Infantis SOS Cabo Verde colocou à disposição da Delegacia de Saúde de São Vicente nove espaços adicionais de isolamento e tratamento de casos suspeitos ou confirmados de coronavírus no Centro Social. A estrutura tem disponibilidade para 22 camas, distribuídas por nove quartos, dos quais dois com casa de banho privativo. 

Em comunicado, a Aldeia SOS diz que, ciente do dever de colaboração de todos, decidiu colocar à disposição da Delegacia de Saúde duas residências do Centro Social em caso de necessidade de espaços adicionais de isolamento e/ou tratamento de casos suspeitos ou confirmados do Covid-19 em S. Vicente. 

“Esta estrutura das Aldeias Infantis SOS de Cabo Verde em S. Vicente encontra-se momentaneamente sem crianças, depois de os internos terem sido reinseridos nas aldeias de São Domingos e Assomada, na ilha de Santiago, nas suas famílias biológicas, no serviço militar. Parte foi ainda acolhida no Centro Irmãos Unidos como resultado da estratégia levada a cabo em 2018, em parceria com o Ministério da Educação, Família e Inclusão Social”, refere a coordenadora de comunicação. 

São 22 camas, distribuídas por nove quartos, dos quais dois com casa de banho privativo. A direcção desta organização garante que está a trabalhar junto das entidades da saúde e tem em marcha neste momento um Plano de Contingência para garantir a saúde e a segurança das crianças acolhidas e dos colaboradores.

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Jorge Carlos Fonseca

PR declara Estado de Emergência Nacional, mas adverte: “Não implica apagão democrático”

O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, declarou o Estado de Emergência em Cabo Verde, que deverá vigorar a partir das zero horas do dia 29 de março e por um período de 20 dias, ou seja, até 17 de abril. Foi a primeira vez na história do país que se declara este estado por forma a permitir intensificar o combate ao coronavírus. Este vai dotar as autoridades dos meios legítimos e num quadro constitucional claro e seguro, conforme fez questão de afirmar o Chefe de Estado. JCF lembrou ainda que o Estado de Emergência, decretado de acordo com a Constituição e em nome dela, não implica um qualquer apagão democrático. 

Esta decisão ocorre, segundo o PR, após profunda reflexão, da auscultação de amplos sectores da sociedade, de consultar o Conselho da República e de, como determina a Constituição da República, ouvir o Governo e obter a autorização da Assembleia Nacional. “Na qualidade de Presidente da República, tomei, em consciência e com pleno sentido das responsabilidades, a decisão de  declarar o Estado de Emergência em todo o território nacional,  que vigorará pelo período de vinte dias, a partir das zero horas do dia 29, com o objectivo de defender valores e interesses fundamentais do país e da nossa comunidade, proporcionando às autoridades os meios legítimos para um combate mais alargado e eficaz a essa pandemia, num quadro constitucional claro e seguro” , frisou JCF na sua comunicação ao país.

O Estado de Emergência, admite, vai incidir, temporariamente, sobre o direito à liberdade, incluindo o direito à deslocação e à emigração, o direito ao trabalho e os direitos dos trabalhadores; os direitos à propriedade e à iniciativa económica privada; os direitos de reunião e de manifestação; a liberdade de culto. Não poderá, no entanto, afectar os direitos não abrangidos pelo decreto presidencial, sem falar os que a própria Constituição exclui da possibilidade de suspensão. “Apesar das restrições decorrentes da declaração do Estado de Emergência, a nossa Democracia continuará, pois, em funcionamento e todos os direitos, liberdades e garantias não abrangidos pela suspensão continuarão em plena vigência. Por exemplo, as liberdades de expressão e de informação ou a liberdade de imprensa,” pontua, realçando que esta medida não implica qualquer apagão democrática. 

O PR lembra que as situações de excepção constitucionais que legitima a suspensão de direitos, liberdades e garantias fundamentais são o mecanismo proposto pela CR para proteger estes valores. Admite que, temporariamente, estes valores possam ser suspensos para que as condições do seu pleno exercício sejam reconstituídos. Por isso mesmo, refere, a Lei Fundamental prevê que esta suspensão apenas possa ocorrer num estado de excepção e exclusivamente num quadro de excepção decretado e delimitado por órgãos de soberania estribados numa legitimidade democrática directa. “Aqui vale a ideia que tantas vezes tenho proclamado de que não há democracia fora da Constituição e muito menos contra a Constituição”, assevera.

JCF diz acreditar que este importante instrumento vai ser utilizado de forma adequada e de modo a contribuir para que, no mais curto espaço de tempo, a doença seja controlada e seja devolvido a tranquilidade às pessoas que constroem esta Nação. 

Estado de Emergência não mata o Covid-19

Para o PR, o Estado de Emergência não mata o Covid-19. É sim um instrumento que permite ao Governo adoptar as medidas necessárias para reprimir a propagação da doença. Neste sentido, segundo JCF, é imprescindível que todos cumpram as instruções que têm e continuarão a ser feitas ou impostas pelo executivo. “É o nosso comportamento, a nossa atitude diária, dentro de casa e nos espaços onde estejamos autorizados a circular que vence esta doença”, justificou, lembrando que a vida continua e que os desafios que enfrentamos no dia-a-dia não estão postos de parte. 

O Presidente apelou na sua declaração a que ninguém baixe os braços ao problema de alcoolismo porque, a seu ver, as tentações são maiores agora que as pessoas estão confinadas à casa, à ansiedade, à convivência restrita ao núcleo familiar. “O consumo de bebidas alcoólicas e outras substâncias psicotrópicas nestas situações tende a agravar e a potenciar o conflito. Mais uma vez, é a nossa atitude e a nossa responsabilidade para connosco próprios e para com os que nos são mais próximos e de nós dependem, como sejam os nossos filhos e familiares mais vulneráveis, que fará toda a diferença”.

O PR termina a sua comunicação dizendo que todos têm uma missão clara, de vencer esta ameaça contra a vida, uma ameaça que pode destruir a economia e o esforço feito como Estado há mais de 44 anos e como Nação durante séculos e séculos. “Grandes conquistas tivemos em todos os níveis e elas estão ameaçadas se não formos capazes de agir como um só, numa mesma luta por nós, pelo que somos e temos feito, e, especialmente, para garantir o nosso futuro. Estamos habituados a sacrifícios, eles não nos metem medo”, afirmou.

Cabo Verde, refira-se, regista até ao momento cinco casos confirmados de coronavírus. Três casos foram registados na ilha da Boa Vista, todos importados, dos quais um óbito e dois evacuados. Os dois outros foram na cidade da Praia, sendo um importado e um contagio local, o que significa que neste momento existem no país apenas dois casos confirmados de covid-19.

Constança de Pina 

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Coronavirus

Covid-19: Testes aos oitos casos suspeitos com resultados negativos

Os resultados dos testes feitos aos oito casos suspeitos anunciados ontem deram todos negativos, segundo o Director Nacional da Saúde, Artur Correia, no balanço diário feito no final da tarde de hoje na cidade da Praia. O estado de saúde do indivíduo do sexo masculino, o primeiro a testar positivo na Capital, inspira alguns cuidados, mas a esposa “está bem”, realçou.

Sendo assim, até o momento cinco pessoas testaram positivos para coronavírus no país, dos quais o cidadão inglês que morreu na ilha da Boa Vista. Destes, outros dois, a holandesa e o outro inglês, já regressaram aos seus países de origem, pelo que neste momento não há nenhum caso positivo na ilha das duas. “Neste momento temos apenas nove contactos com o caso de contaminação local, cujos exames estão em curso”, frisou. 

Os contatos, de acordo com Artur Correia, são as pessoas da família deste casal, designadamente os filhos, e também alguns colegas de trabalho da mulher. “Temos ainda três casos suspeitos que chegaram esta sexta-feira da ilha da Boa Vista ao Serviço Nacional de Vigilância Sanitária.”

Sobre os indivíduos que sairam da Boa Vista e que deviam ser apresentados esta sexta-feira ao Tribunal da Comarca da Praia, o DNS garantiu não ter qualquer informação. Este aproveitou, no entanto, para apelar as pessoas a respeitar na integra as determinações das autoridades nacionais. 

“Todos já conhecem as medidas adoptadas e muitas delas são duras, mas temos de as cumprir para podermos fazer este combate com firmeza e sucesso. Se não houver o engajamento de todos esta caminhada será mais difícil,” lembrou Correia, que aproveitou para desmentir informações de falta de equipamento de protecção no Hospital Agostinho Neto, na Praia.

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Varredores Rua 2

Funcionários de limpeza pública da CMSV exigem materiais de proteção individual e respeito pela sua dignidade

Cerca de quarenta funcionários de limpeza pública da Câmara de S. Vicente exigiram esta manhã o respeito pela sua segurança pessoal devido ao risco eminente de contágio pelo coronavírus. Reunidos na praça Dr. Regala, na cidade do Mindelo, afirmaram à reportagem do Mindelinsite que continuam a trabalhar sem máscaras, luvas e álcool-gel, quadro que contraria todas as normas emanadas pelas autoridades sanitárias. Aliás, relembram que estiveram numa sessão de esclarecimento promovida pela Câmara de S. Vicente, em parceria com a Delegacia de Saúde, foram aconselhados a lavar as mãos com frequência e evitarem entrar em casa com as roupas do trabalho, mas questionam como podem aplicar essas medidas sem boquilhas, luvas e álcool disponibilizados.

Grupo dirige-se à Câmara de S. Vicente

“Aquilo que nos disseram nesse encontro já todos sabíamos de tanto ouvir os conselhos pela televisão e a rádio. Mas como vamos aplicar essas medidas se não nos facultam equipamentos?! Ontem o Governo informou que o pessoal da Função Pública fica em casa, mas nós somos obrigados a vir trabalhar e correr o risco de sermos contaminados. Se não consigo retirar um lixo com a vassoura vou apanha-lo com as mãos. E depois?!”, diz Sandrina Sousa, para quem a classe está a ser explorada, muito em particular neste contexto de crise.

Segundo Isabel dos Santos, o pessoal de limpeza precisa urgentemente de protecção individual para não constituirem um grupo de risco por causa da sua actividade. Esta assegura que estão dispostos a trabalhar, mas noutras condições.

Steven da Graça relembra que boa parte dos varredores tem velhos e crianças em casa, que podem colocar em perigo se não usarem materiais de segurança individual. “Sabemos que, se ficarmos em casa, haverá mais lixo na cidade e mais risco de contaminação. Se não respeitarem a nossa dignidade como poderemos trabalhar?!”, indaga esse varredor.

Câmara de porta fechada

Os varredores de rua foram interceptados pela reportagem do Mindelinsite na Praça Dr. Regala, quando se preparavam para se deslocar à Câmara de S. Vicente em jeito de protesto. Os trabalhadores estavam pertos uns dos outros, contrariando todas as indicações sobre o distanciamento social. E foi complicado para o jornalista manter a distância durante as entrevistas.

Confrontados com esse aspecto, Steven da Graça respondeu que são um grupo unido, precisam continuar unidos e que nada lhes vai acontecer “com fé em Deus”. Dito isto, partiram para a Câmara de S. Vicente, que estava de porta encerrada.

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Interilhas Porto Grande

Última viagem do San Gwann: Navio Kriola retoma operações esta quinta-feira

O navio San Gwann realiza esta quinta-feira, 26, a sua última viagem no país ao serviço da Cabo Verde Interilhas, caso a empresa não receber nenhuma solicitação das instituições da Saúde ou do Governo. No mesmo dia, o ferry Kriola, que se encontrava avariado desde outubro de 2019, retoma as suas ligações marítimas, assumindo as rotas que vinham sendo operadas pelo San Gwann. 

Estas informações foram confirmadas ao Mindelinsite pela assessoria de comunicação da Cabo Verde Interilhas. “O San Gwann, em principio, fará hoje a sua última viagem em Cabo Verde. Era para ser antes, mas devido a situação de emergência provocada pelo Covid-19 tivemos de tirar o ferry Liberdadi de rota para abastecer a ilha da Boa Vista. Por isso tivemos de manter o San Gwann em operações. Se não houver novas solicitações por parte das instituições de Saúde ou do Governo, a embarcação trabalha até hoje, fará a viagem S. Vicente – Santiago, via ilha do Sal ”, informou. 

A rota deverá ser assumida pelo ferry Kriola, que está previsto para começar a operar esta quinta-feira. Segundo Jorge Martins, todas as inspecções, testes e licenças estão operacionais. “O navio já cumpriu todos os procedimentos exigidos e já está no caís de cabotagem pronto para iniciar operações, depois de uma longa paralisação – desde 05 de Outubro – devido a uma avaria técnica. O navio perdeu uma hélice, que teve de ser encomendado no exterior. A reparação foi feita na Cabnave”, acrescenta. 

A ausência do “Kriola” foi colmatada com recurso ao aluguer do navio San Gwann na Espanha. Este chegou a Cabo Verde no mês de outubro e começou a operar em novembro, após o licenciamento por parte da autoridade marítima nacional. Para se ter uma ideia, de acordo com informações recolhidas junto da empresa, de Janeiro a Março, o navio realizou mais de 170 viagens e transportou cerca de 20 mil passageiros. 

Ainda assim, ao que conseguimos apurar, a retoma do ferry boat Kriola vai aliviar a tesouraria da Cabo Verde Interilhas, tendo em conta os elevados custos com o San Gwann. A assessoria de imprensa da empresa nāo avança os valores envolvidos nesta operação. O departamento de comunicação da CVI desmente, no entanto, rumores que circulam no Mindelo e que falam em despesas à volta dos oito mil euros/dia. 

O que posso adiantar é que o navio tem um grande consumo. Para se ter uma ideia, San Gwann consome três vezes mais combustível que Praia d’ Aguada numa viagem na mesma rota. A vantagem é que San Gwann faz as viagens muito mais rápidas”, refere, lembrando que o navio foi alugado com tripulação. “O aluguel não era um problema, mas o consumo sim”, frisa.  

De referir que, com a entrada em operações do “Kriola”, a CVI terá todos os seus navios operacionais. O único senão, neste momento, é a limitação do número de passageiros a 50% devido as medidas de contenção decorrentes do Covid -19. “Estamos a operar com 50% da lotação para cumprir as regras de distanciamento exigidas. Com esta medida, tendo em conta a proximidade das cadeiras, os passageiros conseguem manter uma distância segura.”

Constança de Pina

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Mindelo Av 5 Julho

Governo e parceiros sociais anunciam dez medidas para proteger empregos e empresas

O Governo e os parceiros sociais rubricaram hoje um acordo para proteger as empresas, os empregos e os rendimentos das famílias. Em declarações à imprensa no término da reunião extraordinária do Conselho de Concertação Social realizada na cidade da Praia, o Primeiro-ministro destacou o empenhamento das partes para manter a economia a funcionar, num cenário de quebra da actividade económica para evitar que as empresas encerram as portas e que os trabalhadores sejam despedidos. Tanto as Centrais Sindicais como os empregadores congratularam-se com este acordo. 

Foram dez as medidas anunciadas pelo Chefe do Governo para manter a economia a funcionar numa altura em que, por causa da Covid-19, exige-se medidas acertadas, rapidez de decisão e de execução, afirmou. Estas medidas, que vão vigorar pelos próximos três meses, afirma Correia e Silva, exigem a participação e envolvimento de todos, o cumprimento do distanciamento social e de protecção individual, sendo que, num primeiro momento, a prioridade tem sido a saúde e acções preventivas.  

Mas não se pode descurar o emprego e o rendimento das famílias que, afirmou, para serem preservadas necessitam da economia a funcionar e das empresas a produzir bens e serviços. “A nível da economia mundial projecta-se uma queda acentuada do crescimento económico em 2020 e a retoma em 2021. Todos os sectores da actividade económica são atingidas, em particular o turismo. Economias com grandes dependências e com peso significativo do turismo na sua estrutura produtiva, como é o caso de Cabo Verde, sofrem um duro impacto, através da redução do número de turistas e de dormidas e da queda da actividade de transportes”, constatou.

Hotelaria, restauração e entretenimento fortemente afectados

Por causa disso, disse o PM, actividades como hotelaria, restauração, entretenimento e lazer, transportes rodoviários, marítimos e aéreos são fortemente afectados. “Já estamos a sentir os efeitos. O cenário macro-económico elaborado pelo ministério das Finanças, em colaboração com o Fundo Monetário Internacional, aponta para uma forte recepção económica este ano, com previsão de retoma em 2021. Interrompe-se assim a boa dinâmica de crescimento que o país vinha registando e a boa trajectória de redução do desemprego”, acrescentou, realçando de muitas empresas entrarão em dificuldades de tesouraria e poderão encerrar as portas.

Este é o cenário num futuro próximo caso não forem tomadas medidas urgentes que mitiguem os estragos provocados pela queda da actividade económica. É neste quadro que, segundo Correia e Silva, o Governo e os parceiros sociais adoptam um conjunto de medidas integradas para proteger o emprego e o rendimento, e manter as empresas e as economias a funcionar. “A primeira medida é manter e preservar os empregos existentes, através de um modelo simplificado para a suspensão temporária do contrato de trabalho, que passará a ser aplicável a todos os contratos, quer os por tempo indeterminado, quer os por tempo determinado ou a prazo”, indicou. 

Medidas para agilizar processos

Esta última medida, de acordo com o Primeiro-ministro, vai reduzir de 15 para quatro dias o prazo de comunicação prévia a Direcção-Geral do Trabalho, aos sindicatos e aos trabalhadores, tornando mais ágil o processo de efectivação para permitir aos trabalhadores manter o contrato de trabalho, suspender o pagamento para contribuição social e receber 70% do salário bruto. Este, prossegue, será assumido em 35% pelo Instituto Nacional de Previdência Social e 35% pela empresa empregadora. 

A segunda medida acordada pelos parceiros sociais propõe que, nos casos extremos, em que a solução alternativa é o despedimento, o subsídio de desemprego passa a ser atribuído a todos os trabalhadores que fizeram descontos para a Segurança Social durante pelo menos dois meses, independentemente da faixa etária. “No regime actual, este período de garantia é de seis meses passa, então para dois meses na faixa etária entre 35 a 50 anos. Criamos as condições para tornar mais rápido o processo de atribuição do subsidio do desemprego e maior abrangência para os trabalhadores que estiveram ou foram desempregados”, esclareceu. 

Já a terceira medida isenta temporariamente as contribuições para o INPS a cargo da entidade empregadora como medida incentivadora da manutenção do emprego. Determina-se ainda que os trabalhadores em regime de isolamento profilático decretado pelas autoridades sanitárias por motivo do contaminação ou para acompanhamento familiar passam a beneficiar de um subsidio equiparado ao de doença com internamento hospitalar; para mitigar os efeitos sobre a liquidez das empresas que o Tesouro Público pague de imediato as facturas de fornecedores de bens e serviços pendentes. “Estamos a falar de um valor que ascende a um milhão de contos, introduzindo assim liquidez nas empresas”, explica. 

O acordo contempla ainda linhas de crédito para reforçar a liquidez das empresas disponibilizadas pelos bancos comerciais no montante de quatro milhões de contos, com garantias do Estado que poderá chegar aos 100%. “Criamos assim as condições para, em caso de necessidade de apoio a Tesouraria e de continuação de funcionamento das empresas, termos os recursos disponíveis com zero ou poucos riscos de credito, tendo em conta que é garantido pelo Estado. Incluímos nesta nesta linha de credito 300 mil contos dirigidos a instituições de micro-finanças. E este montante poderá ser aumentado”, deixou em aberto o Chefe do Governo.

Ulisses Correia e Silva

Mais liquidez

O acordo contempla ainda a flexibilização do pagamento de impostos através do alargamento de prazos, isenções de taxas, pagamentos em prestações e suspensão e alargamento dos prazos de execuções fiscais e o reforço de liquidez aos bancos comerciais. Por último, os documentos emitidos por serviços de registo e notariado serão aceites pelas autoridades, mesmo com prazos expirados. Esta última, refere, visa evitar as aglomerações nos serviços. “As medidas de natureza fiscal, financeira e de segurança social, atribuídas as empresas no quadro da mitigação dos efeitos da crise provocada pelo covid-19, são condicionadas à manutenção do emprego”, frisou, sendo que, para efeito de controlo, serão implementadas mecanismos de acompanhamento junto das empresas, bancos e INPS. Neste sentido, os processos legislativos serão acelerados, tendo em conta que muitas desta medidas são objecto de leis e de decretos-lei. 

Todos os parceiros sociais, no caso as duas Centrais Sindicais e as Câmaras do Comércio, reconheceram a importância desta medidas e aplaudiram esta iniciativa do Governo, o que levou o PM a agradecer o seu sentido de responsabilidade. “Gostaria de agradecer os parceiros sociais – entidades patronais e sindicatos – pela realização desta reunião extraordinária do Conselho de Concertação Social pelo alto sentido de responsabilidade social e de compromisso com a nação cabo-verdiana, espelhada no acordo tripartida que visa mitigar os efeitos desta pandemia do Covid -19 sobre o emprego, o rendimento das famílias, sobre as empresas e sobre a economia no geral”, afirmou Correia e Silva, para quem todos mostraram estar a altura no momento em que o mundo enfrenta uma das maiores crises de sempre. 

O Primeiro-ministro deixou ainda em aberto a possibilidade de medidas adicionais poderem ser introduzidas em decorrência da situação económica do pais derivada da crise sanitária. E prometeu, para breve, novidades para o sector da economia social ou informal, e a aprovação, para breve, de um orçamento rectificativo. 

Constança de Pina

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covid19-2

Covid 19 faz primeira vítima mortal em Cabo Verde

O turista inglês de 62 anos, o primeiro caso confirmado de coronavirus em Cabo Verde, é a primeira vitima mortal da doença, anunciou o ministro da Saúde. Arlindo do Rosario adiantou ainda que o estado  de saúde da turista holandesa, que também se encontrava hospedada num dois hotéis, é “reservado”.

Segundo Arlindo do Rosario, o estado de saude do cidadão inglês, que já era reservado deste a confirmação do resultado positivo para Covid -19 na sexta-feira, 20 de março, vinha agravando paulatinamente. Este veio a falecer às 23 horas de ontem, na ilha da Boa Vista. 

Relativamente ao quadro clinico da turista holandesa de 60 anos, o ministro da Saúde reafirmou que é “reservado”. No entanto, o teste feito ao seu marido deu negativo, pelo que Cabo Verde  conta neste momento com dois casos confirmado, todos na ilha da Boa Vista, e uma morte. 

Desde sexta-feira, refira-se, a ilha das Dunas encontra-se de quarentena, data em que foi confirmado o primeiro caso de Covid -19. Na sequência foram adoptadas um conjunto de medidas restritivas para todo o pais. 

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Alcool em Gel 2

Mais de 13 mil unidades de álcool-gel fora de validade apreendidas em São Vicente

A Inspecção-Geral das Actividades Económicas (IGAE) e a Polícia Judiciária desmantelaram ontem em São Vicente um esquema de adulteração do prazo de validade de frascos de álcool gel, mas sem especificar o local. Nesta acção conjunta apreenderam treze mil cento e doze unidades do produto que seriam colocados para venda no mercado. Segundo comunicado da IGAE, o prazo dos produtos teria expirado em 2012 e, com o esquema, ganhavam novo rótulo para serem novamente comercializados.

Refere-se que nesta altura em que as autoridades da saúde pedem às pessoas que utilizem álcool gel para proteção contra a infecção do Covid-19, a venda deste produto pode corromper esta campanha. Por isso a IGAE acrescenta que as acções no terreno irão continuar nos próximos dias para a retirada total do produto do mercado, “protegendo, desta forma, os cabo-verdianos e a saúde pública”.

Para maior eficácia desta operação, a IGAE e a PJ apelam aos consumidores que verifiquem o prazo de validade dos produtos que adquirem e, em caso de adulteração, contactem as autoridades competentes através da linha verde 800 2008 ou pelo telefone 260 48 01.

Sidneia Newton (Estagiária)

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Militares Covid

Contingente reforçado na Boa Vista com militares, agentes da PN, bombeiros e medicamentos

Um contingente constituído por 20 militares, 11 agentes da Polícia Nacional, 5 bombeiros seguiu hoje para a Boa Vista para reforçar o controlo das medidas de contingência aplicadas a essa ilha, a única onde as autoridades sanitárias já detectaram a presença efectiva do coronavírus Covid-19. A equipa, que partiu do Porto da Praia esta manhã, é integrada ainda pelo Presidente do Serviço Nacional da Protecção Civil.

Este grupo, que se vai juntar aos colegas já presentes no terreno para ajudar a manter a aplicação da quarentena na Boa Vista, transporta os necessários equipamentos de protecção individual, tendas, desfibrilador, extintores e dorsais para serem usados na desinfecção.

Conforme nota do Ministério da Administração Interna, a Emprofac enviou também medicamentos e equipamentos de protecção individual para apetrechar as farmácias da ilha das dunas.

Relembre-se que as autoridades enviaram antes uma força de intervenção composta por 41 militares das Forças Armadas, 2 técnicos do Serviço Nacional de Protecção Civil e 2 enfermeiros dos Bombeiros da Praia. Além disso, as Forças Armadas colocaram o navio Guardião a fiscalizar o litoral da ilha para evitar entradas e saídas pelo mar.

A missão é reforçar as capacidades locais de controlo e resposta à doença e assegurar a aplicação das regras de restrição. O grupo inicial levou um conjunto de materiais, entre os quais equipamentos de protecção individual, tendas, lanternas, mantas e drone para reconhecimento e mapeamento.

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