Nosofa Festival

Covid-19: Artistas residentes e na diáspora promovem “Nasofá festival”

O festival Nasofá é uma iniciativa sui generis de mais de 70 artistas nacionais, residentes e na diáspora e em sincronia, que terá lugar de 05 a 11 de abril e que visa proporcionar momentos de lazer às pessoas “presas” em casa por causa do coronavírus. 

Trata-se de um festival online de música kriola, que será transmitido do sofá de casa dos artistas para a residência do espectador. A ideia destes artistas é, juntos, inspirar todas as pessoas a combater e a vencer esta etapa que o mundo está a viver por conta desta epidemia, e Cabo Verde não é excepção. “A transmissão dos concertos será feita através das contas do Instagram de cada artista e as actuações terão a duração de 30 minutos cada”, referem os promotores, em comunicado. 

Este festival, dizem, foi inspirado em movimentos similares em Portugal, e não só, e visa unir forças e assim contribuir para o bem-estar das pessoas por estes dias. Esperam o envolvimento de instituições, empresas, organismos governamentais, associações e dos meios de informação físicas e digitais. “São muito importantes para que o impacto deste projecto seja grande e de real efeito, pois só com o envolvimento de todos será possível conseguirmos superar este momento e renascermos mais unidos e mais fortes”, acrescentam. 

Já estão confirmados artistas como Alberto Koening, Badoxa, Batchart, Blaka, Boss AC, Calema, Ceuzany, Dina Medina, Dino de Santiago, Djodje, Dynamo, Eder Xavier, Élida Almeida, Elji, Ely Paris, Fattú Djakité. E ainda, Gil Semedo, Jenifer Solidade, Helio Batalha, Lura, Mayra Andrade, Mirri Lobo, de ente outros. 

De acordo com a organização, a programação deste festival será divulgada nas contas oficiais das redes sociais do projecto nos próximos dias.

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Adriano Reis estorias

Contador de “Estórias” cabo-verdiano reinventa-se nas redes sociais para driblar impacto do Covid-19.

Contar “estórias” e tradições orais de Cabo Verde através das redes sociais foi a forma que Adriano Reis encontrou para dar volta à situação de desemprego com que se deparou após a declaração do Estado de Emergência em Portugal. Conforme nos diz este actor cabo-verdiano, de uma carteira cheia de atividades agendadas até junho de 2021, viu-se de repente com uma mão cheia de nada e sentado em casa sem poder trabalhar. Nesta entrevista ao Mindelinsite, Adriano Reis igualmente dinamizador sócio-cultural e técnico da juventude, afirmou a sua paixão e amor pelas tradições do seu país e a vontade de as partilhar através das palavras que identificam a sua identidade crioula.

Por João do Rosário

Mindelinsite – Importante ter em consideração que esta crise provocada pelo Covid-19 tem implicações na vida das pessoas. Como está a ser a tua vida laboral enquanto actor e contador de estórias tradicionais de Cabo Verde em Portugal?

Adriano Reis – Claro, sobretudo a nível profissional e familiar. Sou trabalhador independente sem contrato e nós funcionamos mediante os rendimentos obtidos. Não sabemos se vamos contar com os apoios da segurança social porque a este nível tudo é diferente. Assim, sem trabalho, as coisas começaram já a ficar complicadas. Ter uma agenda cheia até junho de 2021 e de momento não ter nada dado o “nosso inimigo invisível”. É kompliqôde! (é complicado)

MI – As dificuldades e as crises ajudam-nos, por vezes, a ser bastante criativos. Criatividade é o que não tem faltado ao Adriano Reis. Podias explicar-nos como surgiu o teu novo projecto em que estás a trabalhar agora?

AR – Sabes, está nas genes do cabo-verdiano a sua capacidade de luta, de trabalho e de sacrifício. Assim sendo, o nosso povo sempre soube adaptar-se às realidades que se lhe depara, reinventando-se com muita criatividade. Nós os cabo-verdianos somos naturalmente criativos na medida em que já passámos por muitas crises. Eu foco-me no meu trabalho. Normalmente vou elaborando os projetos e guardo-os. Chegado o momento certo, recorro a eles adaptando-os à realidade do momento. Estou agora a angariar público alvo para meu actual projeto que, são as famílias, para sessões de “stórias”, via Skype, Chat, nas redes sociais. Estou igualmente muito focado em dar o meu apoio moral através das redes sociais aos meus ouvintes de estórias, de Lá e de Cá. Já criei uma linha de produtos tradicionais com logotipos de estórias coloridas, com frascos e garrafas pequenas de grogue, pontche de mel e de calabaceira, grogues de plantas, bolachas tradicionais e doces que disponibilizamos aos ouvintes depois dos contos. 

MI – Contar histórias nas redes sociais? Isto tem funcionado?

AR – Tem funcionado sim mas, não é a mesma coisa; eu gravo as “estórias” e sinto um vazio enorme. Contar estórias para mim é um momento de ancestralidade, a viajem acontece naquele momento, fixar o olhar, tocar quem nos escuta, sentir as energias do afecto e dos abraços. Nunca gostei de gravar vídeos das minhas sessões de contos porque acho que perdem o encanto. Agora terei de o fazer no intuito de acompanhar os outros que neste momento estão confinados em casa. É uma forma de “sobreviver” porque é dai que trago o pão, ao mesmo tempo tem sido desafiador para mim.

MI – Como tem sido a adesão das pessoas? De que nacionalidade são?

AR – A maior adesão é das comunidades não cabo-verdiana e ou africana, mas sim portugueses. Tenho que me adaptar (risos).

MI – Costumas dizer que a profissão de actor de teatro era bastante difícil em Portugal. Agora o de contador de estórias e tradições orais como é que tem sido?

AR – É verdade, sempre disse que somos “actores temáticos”, mas isto tem vindo a melhorar. O que quero dizer com o actor temático? Aqui em Portugal, se precisarem de um papel menos abonatório na sociedade, chamam a nós os africanos. Como não aceito, abracei a arte de Contador de Estórias pelo fascínio de mergulhar-me nos meus costumes e tradições orais. Satisfaz-me pessoalmente e também pago as minhas contas. Graças ao meu intenso trabalho, tenho partilhado contos e estórias de norte a sul de Portugal. E Tenho abraçado as comunidades imigrantes cabo-verdianas, em parceria com muitas associações por aí. Também faz parte do projeto “beber na fonte”. Vou à terra colher as tradições e depois  partilho-as cá. O projeto é a fonte da minha capacitação.

MI – O projecto “beber na fonte” fica em stand-by, claro. Em que consiste?

AR – Não está de todo. Como já indiquei anteriormente, estou mergulhado na recolha. Tenho já material bastante substancial que consiste em mais de 50 livros, mais de 200 horas de gravação, apontamentos mil. Muito por trabalhar mesmo! E, logo assim que possível, partirei para a Ilha de São Nicolau onde darei início à terceira edição do Projeto “beber na fonte”. Trata-se de uma investigação da Tradição Oral, Recolha Etno-cultural que deriva de um intercâmbio Cultural – Cabo Verde & Diáspora Crioula, sessões de contos e Exposições: Estórias visuais Antro-Etnocultural de Cabo Verde. Este projeto conta com a Direção Técnica de Gil Moreira e com a minha coordenação.

Grogue não mata Covid

MI – Disseste uma coisa importante e muito interessante. “vamos ter que dizer à malta cabo-verdiana e explicar-lhes que este vírus do Covid-19 não morre com o grogue”-

AR – Estava a ser bastante preocupante mesmo. Quando emitiram a declaração do “isolamento profilático”, tive uma breve curiosidade em dar um passeio, sobretudo, em Agualva-Cacém, onde temos uma forte comunidade para ver como estávamos a respeitar a lei portuguesa. Fiquei estupefacto quando deparei com os bares e os espaços de convívio onde a comunidade cabo-verdiana costuma frequentar e verifiquei que estavam cheios de gente. Fiquei preocupado quando vi que alguns deambulavam pela cidade a “gritar” que grogue não deixa o Covid-19 aproximar. Fiquei triste e senti-me no dever de dar o meu contributo chamando a atenção para não brincarmos com isto. Já estamos mais consciencializados.

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João Branco

“As Palavras de Jó” assistida por mais de 1.200 pessoas

Mais de 1.200 pessoas terão assistido a apresentação live de “As Palavras de Jó”, uma iniciativa que visava assinalar o Dia Mundial do Teatro e dar alento as pessoas em quarentena em casa e nos hotéis em Cabo Verde. As reacções e comentários são muito positivas e mostram que o público absorveu a mensagem de esperança “Eu acredito no Homem”.

O protagonista desta que é a 54ª  produção do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, João Branco, mostra-se satisfeito. “Conseguimos transmitir para todo o mundo, num directo da cidade do Mindelo, com boa qualidade de imagem e som, um espectáculo de teatro made in Cabo Verde e, de certa forma, encurtar esta distancia física que nos separa hoje uns dos outros decorrentes da epidemia global”, escreveu. 

Segundo Branco, mais de 1.200 pessoas acompanharam ao vivo a apresentação, incluindo o autor da peça, o dramaturgo Matéi Visniec. Um número que, afirma, daria para encher o a Academia Livre de Artes Integradas do Mindelo (ALAIM) 12 vezes. “Isso é algo que muito nos orgulha. De certa forma, fizemos historia hoje. E estou muito grato”, acrescentou. 

A logística para a transmissão desta peça foi assegurada por Edson Fortes Gomes, David Medida, Deka Saimor, Nuno Tavares, Edson Silva, Abel Monteiro, Janaina Alves e, principalmente, a CV Móvel, que tornou possível esta iniciativa inédita em Cabo Verde. “Eu sou a palavra Quarentena e só peço a vocês que fiquem em casa!”, finaliza. 

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João Branco

Apresentação live de “As Palavras de Jó” no Dia Mundial do Teatro

O espectáculo “As Palavras de Jó”, escrito pelo dramaturgo ucraniano Matéi Visniec, é apresentado hoje, 27 de março, Dia Mundial do Teatro, em reposição, através da internet, para dar conforto, alegria e esperança às pessoas que estão em isolamento em Cabo Verde e um pouco por todo mundo. Esta iniciativa, inédita em Cabo Verde é do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo (GTCCPM).

Em conversa com Mindelinsite, o protagonista da peça, João Branco, explicou que foram três as razões que motivaram o grupo a fazer esta apresentação live de “As Palavras de Jó”. “Decidimos avançar porque hoje é o Dia Mundial do Teatro e queremos assinalar a efeméride. Também porque há muita gente neste momento em quarentena que precisam de conforto e, por ultimo por causa da natureza deste texto que fala de esperança. Queremos levar esperança e alegria às pessoas em Cabo Verde e no mundo que virem o espectáculo.”

Assim, hoje, a partir das 21 horas, os cabo-cabo-verdianos e não só podem ver este monologo através da pagina no facebook de João Branco, uma oportunidade para apreciar este grande trabalho que, antes do covid-19, seria apresentado neste mesmo dia, com entrada gratuita, no Centro Cultural do Mindelo. “Vamos levar um pouco de esperança às pessoas e contribuir para que este isolamento seja menos doloroso.”

A apresentação “live” conta com assistência de Edson Silva (imagem), David Medida (som) e Nuno Tavares (iluminação). A trilha sonora é gravada. Todos os testes foram feitos na noite de ontem, pelo que não se espera contratempos. 

O monólogo “As Palavras de Jó”, refira-se, foi apresentado pela primeira vez em S. Vicente em 2016. Trata-se da 54ª produção do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português e faz parte do projecto “Matéi”, que iniciou com o curso de teatro do Centro Cultural Português intitulado Teatro 15 e o espectáculo “Cuidado com as velhinhas carentes e solitárias.”

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NANDO DA CRUZ00

Nando da Cruz promete animar cabo-verdianos com CD após crise do Covid-19

O músico, compositor e intérprete cabo-verdiano Nando da Cruz tem em preparação um novo trabalho discográfico. O cantor confirmou esse dado quando foi desafiado por “Mindelinside” a revelar quando poderá lançar um novo trabalho. Nesta entrevista feita através do “messenger”, devido as medidas de restrição, Cruz mostrou-se preocupado com o impacto do Covid-19 e apelou à solidariedade dos cabo-verdianos nesta luta pela erradicação da pandemia.

“O disco está na forja e a ser trabalhado” fez saber este cantor cabo-verdiano nascido na ilha de S. Vicente em Julho de 1965. Em conversa com o Mindelinsite, o artista sobejamente conhecido em Cabo Verde e na diáspora indicou que inicialmente estava a pensar lançar um CD com 10 músicas, mas que, dado ao pedido de vários fãs, optou por avançar apenas com quatro canções, sendo duas Coladeiras, um Semba e um Funaná, todas da sua autoria.

O cantor disse-nos ainda que as outras canções que deviam constar do CD, mas que não foram incorporadas neste trabalho, ficarão para uma próxima obra. Cruz, que não precisou a data do lançamento da obra, deixou transparecer que a crise sanitária e social provocada pelo Covid-19 levou à suspensão das gravações. “Tendo em conta o rumo das coisas, as previsões estão a apontar para o final do ano”, fez saber Nando da Cruz.

A obra, cujo título não foi revelado, tem a direção musical do compositor e tecladista Manú Lima e ainda contará com a participação dos quatro músicos dos instrumentos de sopro que costumam gravar com os Kassav. 

Instado a pronunciar-se sobre o género musical  “Colá love”,  o artista “mindelense de gema” explica que foi uma denominação atribuída em Portugal quando lançou a música “Ribeira d’Paúl” em 1992. Posteriormente este estilo musical, de acordo com Nando da Cruz, viria a ser apelidado de “Cabo Love”.

Situação actual muito preocupante

Este artista, que se considera um guerreiro nato, mostra-se bastante preocupado com a situação actual que se vive no mundo devido ao impacto do Covid-19 na vida das pessoas. Para ele, a humanidade está a travar uma “guerra” que será vencida com a união de todos. Por isso apelou à solidariedade de toda a gente e que as pessoas não deixem a resolução do problema nas mãos do Governo.

“É hora de nos unirmos neste combate, não podemos deixar nenhuma ilha sozinha; temos de arranjar medidas adequadas de apoio da parte tanto das pessoas particulares como das empresas e instituições”, desafiou o compositor de “Cabo Verde Querida” e “Badia na Baia”. Este aproveitou o ensejo para pedir as pessoas para ficarem em casa e seguirem todas as instruções das autoridades sanitárias.

Vida entre futebol e música

Nando da Cruz reside em Paris ( França) é autor, compositor, cantor e realizador, tendo emigrado aos 14 anos para Portugal. A expectativa inicial era ser futebolista profissional, tendo jogado nos iniciados da equipa de Almada e nos juvenis da Cova da Piedade.

Foi em Almada, junto da Associação “Cretcheu” que começou a mostrar os seus dotes de cantor. Em 1981 foi residir em Paris, onde lançou em 1987 o seu primeiro disco “Baiana”, seguido de  “Cabo Verde Querida” (1992),   “Sheila” (1994), “Soraya” (1997) e “Badia na Baia”, em 2001. Por último, o Best Off Nando da Cruz (2008) quando os seus fãs o apelidaram de o Pai do “ Colá Love”.   

Nando da Cruz já compôs para vários artistas, nomeadamente, a diva  Cesária Évora, com “Petit Pays”,  “Africa Nossa”, “Mãe Velha”, “Badju Sabi” , “Tchon d’França”, “Esperança” e “Dnhirim  d’Reforma”. Também tem composições interpretadas por Dina Medina, Manú Lima, Rene Cabral, Esmaelo, Joel e  Maty.

 Em 2004 produziu um CD para as criança desfavorecidas em Cabo Verde intitulado (Crianças di Terra), juntamente com vários artistas nacionais. Dois anos depois homenageou o saxofonista Luís Morais, com a colaboração de outros artistas. Em 2016 viria a lançar “Crianças di Terra 2”, em parceria com o músico Quim Alves.

 Nando da Cruz já actuou em vários palco, nomeadamente França, Estados Unidos, Bélgica, Itália, Portugal, Espanha, Suíça, Luxemburgo,  Cabo Verde, Senegal e Angola.

João do Rosário (Portugal)

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João-Branco

Mindelact cancela a AG e comemorações do Dia Mundial do Teatro

A Associação Artística e Cultural Mindelact cancelou a assembleia-geral, agendada para o dia 21 de março, e o lançamento da Colectânea de peças de Valódia Monteiro. Decidiu igualmente suspender as comemorações do Dia Mundial do Teatro e a atribuição do Prémio de Mérito Teatral, no dia 27.

O presidente do Mindelact justifica a medida com a situação provocada pela pandemia do coronavírus. “Em nome da responsabilidade social decidimos suspender as nossas actividades para este mês. Entendemos que temos de evitar todas acções que propiciam a aglomeração de pessoas. Esta é a regra número 1 de convivência e de prevenção nesta altura”, afirma, deixando claro que o “Mindelact não quer passar uma mensagem de alarme, mas sim de prevenção”. 

Já o Centro Cultural Português cancelou o K Cena e a exibição da peça “As palavras de Jô”, o grupo de teatro da Escola Salesiana deArtes e Ofício a apresentação de “O Arco da Arte” na Academia Livre de Artes Integradas (ALAIM), que deverá fechar as portas por estes dias. A expectativa é de que outros espaços culturais também venham a seguir pelo mesmo caminho. 

“A decisão de cancelar os espectáculos de Março Mês de Teatro depende dos grupos e das estruturas que os defendem. Não depende do Mindelact, tendo em conta que está é uma actividades cujos espectáculos são da responsabilidade dos grupos. O que posso garantir que os do CCP e os que deveriam ser apresentados no ALAIM estão todos cancelados”, assegura. 

O curso de Dramaturgia que decorria no CCP também foi suspenso, devendo ser no entanto retomado “online”. “Estamos a fazer a nossa parte. Por exemplo, a biblioteca do CCP continua aberta, mas as mesas foram colocadas numa disposição para que as pessoas fiquem no mínimo com um metro e meio de distância. Estamos a seguir os procedimentos aconselhados pela Organização Mundial da Saúde. É a única forma de prevenirmos nesta fase porque não há vacinas e nem medicamentos.”

Na procura alternativa, Germano Almeida, que chegou a ser hospitalizado com suspeita de contaminação com Covid-19, decidiu inovar. Suspendeu o lançamento do livro “O Último Mugido” e optou para fazer vendas autografadas, com entregas à domicilio, através de “Mussin d’ Mandob”.

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Serenata Produções apresenta o espetáculo “SoMulheres” em comemoração ao mês da mulher

O grupo Serenata Produções realiza no dia 21 de Março, no Mindelo, o espetáculo “SoMulheres” em comemoração ao mês das mulheres. A noite será embalada por diversas vozes, entre as quais Assol Garcia, e tem como objetivo juntar o maior número de artistas femininas em palco.

A organização decidiu apostar em praticamente só “talentos da casa”, sendo Assol Garcia, uma artista já bem conhecida no país e em particular no Mindelo, a única cantora que vem de longe para fazer parte do espectáculo.

O cartaz conta com atrações como Duda Teixeira, Nilza Xalino, Bitina Lopes, Bertânia Almeida, Bibia Silva, Isaura Lima e Nadine Silva, artista-mirim que irá abrir o evento.

A intenção da promotora de eventos era fazer o espectáculo no dia 27, ou no final do mês, como vem sendo habitual. No entanto, por impossibilidade da sala de espetáculo, que já tem outros eventos agendados para aqueles dias, por ser Março todo dedicado à mulher, 21 foi a data considerada mais propícia.

Desde 2011 que a Serenata Produções iniciou a série de espectáculos e Kikas Silva, percussionista e responsável pela empresa, admite que um dos propósitos ao longo destes anos é tirar o público de casa. A satisfação maior, garante, é ver que a sala fica sempre cheia.

Aposta na música tradicional

Em relação à musica, Kikas garante que em Cabo Verde o tradicional está no “top”, a par de outros gêneros. No entanto, apela aos jovens a seguirem mais a vertente tradicional, para haver continuidades e elevação alem-fronteiras.

“Alguns jovens acompanham, porém há outros que dizem que a música tradicional é difícil de ser tocada e cantada, por isso não lhes interessa”, lamenta o músico. A aposta para o sucesso, aconselha o percussionista, deve estar no empenho de cada um, em vez de se enveredar pelo mais fácil. 

Por isso, garante, ao longo dos anos têm vindo a desafiar a nova geração a apostar nos “ritmos d’terra”.  “Chamamos sempre os artistas mais jovens e desafiamos-lhes com algumas propostas relacionadas com ritmos tradicionais. Alguns aceitam, outros nos colocam em ‘stand by’ e às tantas acabam por desistir, por não estarem habituados a seguir o caminho que lhes propomos”, expõe Kikas. Este acrescente que os artistas que geralmente abraçam a causa são os considerados veteranos e “mergulham de cabeça” neste tipo de projeto.

Com um espetáculo por mês, a Serenata Produções tem como grande patrocinador o público. A bem da cultura e do projecto, espera que no futuro outros organismos abracem a causa. Sem entrar em detalhes, Kikas Silva adianta ainda que no mês de Abril Serenata Produções lança um CD de uma cantora.

Sidneia Newton (Estagiária)

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Helga Pina Fernandes

Emigrante Elga Fernandes apresenta “Nosagenda”: Revista destaca cultura e figuras cabo-verdianas

A emigrante Elga Fernandes está em S. Vicente para ver a possibilidade de fazer a apresentação o quanto antes de “Nosagenda”, uma revista que lançou na Holanda e aborda fundamentalmente a cultura e história de figuras cabo-verdianas. No entanto, Fernandes viaja hoje para Santo Antão, onde já tem agendada uma sessão pública de lançamento da publicação no dia 8 de Março, no município do Paul, na Casa Maracujá. O palco seguinte será a cidade da Praia, em Santiago, sua ilha berço, na Livraria Pedro Cardoso.

“Quero mostrar este trabalho em todas as ilhas e onde há emigrantes, por isso gostaria de estabelecer contactos e ver onde e como apresentar a revista em S. Vicente”, diz a emigrante, que tomou a iniciativa de apostar na revista após constactar que há várias figuras cabo-verdianas espalhadas pelo mundo, mas cujas histórias são parcialmente conhecidas. A intenção é compilar e apresentar os relatos dessas vidas numa revista graficamente elegante.

Lançada em Junho de 2019, a publicação já vai na segunda edição e o próximo objectivo é aumentar a periodicidade de duas para três vezes ao ano e mais tarde que saia nas bancas de três em três meses. Isto porque, conforme Elga Fernandes, há cada vez mais histórias para contar e informações sobre a cultura cabo-verdiana que merecem ser registadas.

“Sempre gostei de mostrar o que Cabo Verde tem, por isso atribuo muita importância a este veículo, que pretende ser o espaço de compilação de acontecimentos e pessoas inspiradoras”, frisa Elga Fernandes, que não tem formação em Jornalismo, mas que arriscou pegar no projecto ciente de que poderia encontrar ajuda.

Hoje tem uma equipa de três pessoas e conta com a colaboração de pessoas que se disponibilizaram para corrigir os textos em português e fazer a tradução dos mesmos para inglês e holandês. Para ela, esse contributo é fundamental porque permite garantir a produção de material e aumentar a qualidade da revista. Como diz, “Nosagenda” pretende ser uma ponte entre Cabo Verde e os cabo-verdianos no mundo, daí já ter levado a revista para recantos como Inglaterra, Luxemburgo, França, Itália e Portugal, além da Holanda, a sua base.

Kim-Zé Brito

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Silvio Nascimento

RTPÁfrica quer co-produzir “Bem-Vindos” para promover Cabo Verde

O actor angolano e apresentador do programa “Bem-Vindos” da RTPÁfrica, Silvio Nascimento, quer promover a ilha de S. Vicente e Cabo Verde lá fora. Nascimento, que esteve em S. Vicente a convite da Escola de Samba Tropical para ser figura de destaque do desfile do dia 24 de Fevereiro, aproveitou a sua estada nesta ilha para encetar as bases para um acordo de parceria para uma futurA co-produção com os Estúdios do Mindelo da TCV. Estabeleceu ainda um Convénio entre a Plataforma Digital de Streaming “Tellas” e a Associação de Cinema e dos Audiovisuais, para exibir filmes, curtas-metragens, reportagens e documentários sobre o arquipélago.

Completamente apaixonado por esta ilha, após a sua passagem por São Vicente, Sílvio Nascimento diz que neste momento aguarda apenas por uma resposta da TCV Mindelo para poder vir gravar uma série de episódios, que serão exibidos no seu programa “Bem-Vindos” da RTP África. “Fizemos uma solicitação, mas a TCV Mindelo ainda não nos respondeu. Estamos à espera da resposta para ir gravar. Quando ao Convénio com a Associação de Cinema e dos Audiovisuais de Cabo Verde, estou completamente aberto para colocar os vossos filmes na plataforma Tellas. Só precisamos de os receber”, confirma.

Esta abertura por parte do actor angolano e apresentador de televisão visa tão-somente promover S.Vicente e Cabo Verde durante uma semana do “Bem-Vindos”, totalmente produzido a partir destas ilhas. Mas, para isso, Sílvio explica que precisa dos meios técnicos da TCV Mindelo. “Temos o apresentador e a coordenadora do programa, mas o realizador e os técnicos seriam de Cabo Verde. Faríamos o programa num espaço que promovesse a ilha, com convidados do país, ou seja, quero fazer uma promoção de Cabo Verde em grande”, realça, destacando a vontade e interesse manifestados pela Delegação da TCV. “Preciso é saber se e quando vai acontecer”.

Do lado deste actor e apresentador Angolano, a disponibilidade é total. Sílvio se diz cativado pela “morabeza” da ilha de S. Vicente. “Fiquei fascinado pela ilha. Estou neste momento no programa a ouvir músicas que exaltam S.Vicente, como é caso da “Súplica”, de Djoya. Tenho uma vontade imensa de regressar. Foi a primeira das muitas visitas que pretendo efectuar a esta ilha, o que, se calhar, vai fazer com que eu vá e fique”, declarou Sílvio Nascimento, nesta entrevista feita por telefone a partir dos Estúdios da RTPÁfrica em Portugal. “Aliás, pretendo regressar muito antes do próximo Carnaval. Quem sabe para o Festival de Música da Baía das Gatas. Queremos promover Cabo Verde o quanto antes. Amanhã, ou quem sabe ainda hoje”.

Questionado sobre o que o atraiu nesta ilha, Sílvio Nascimento sequer hesita: “Fui cativado pelas pessoas, pela forma como recebem e pela “sabura” que a ilha é. S.Vicente é sem dúvidas ‘sabe’! Na semana que estive lá, conheci muitos lugares, mas também outras ilhas, designadamente Santo Antão e Sal. Estive em vários lugares históricos e culturais, conheci a gastronomia e principalmente as gentes. Adorei tudo! Hoje Cabo Verde está no meu coração. E para o ano já tenho dois convites, um do Samba Tropical, minha escola-mãe, e de outro grupo carnavalesco. Então tenho todos os motivos para regressar. Faça chuva ou faça sol, estarei em S.Vicente!”

Sílvio Nascimento deixa claro também que pretende passar a palavra e já no próximo ano trazer mais angolanos, africanos e estrangeiros em geral. “Quero trazer pessoas dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), porque Cabo Verde merece. São Vicente é uma ilha linda de morrer!”, pontua o presidente do Conselho de Administração da Tellas, uma plataforma digital de vídeos em Streaming que quer revolucionar a forma como os PALOP’s e outros países africanos exibem os seus produtos audiovisuais pelo mundo, sem precisarem sair dos respectivos países. O acesso a esta plataforma funciona através de uma subscrição, e nela pode-se encontrar uma grande variedade de conteúdos, como filmes, séries, podcasts, curtas-metragens, documentários e stand-up-comedy, alguns produzidos exclusivamente para a “Tellas”.

Quanto a Sílvio Nascimento, para além de apresentador de Televisão, venceu o Globo de Ouro “Angola 2018” na categoria Melhor Actor. Também actuou em várias Novelas do canal português SIC, com destaque para “Amor Maior”, tendo sido um dos personagens mais marcantes no papel do psicopata ‘Augusto’. Participou ainda em “Vidas Opostas” e “Paixão”. Recebeu três nomeações aos EMMY’s nos Estados Unidos da América, participou no Nacional Cultura e Art e também no FESTLIP, no Brasil.

Constança de Pina

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Toca

Mindelact renova direcção e apresenta 15 espectáculos no Março Mês de Teatro

A Associação Artística e Cultura Mindelact vai renovar a sua direcção nesta que é a sua 21ª edição do Março Mês de Teatro, cuja programação contempla a apresentação de 15 espectáculos, em media um a cada dois dias, uma exposição de fotografia de Queila Fernandes e o lançamento de uma colectânea de peças de Valódia Monteiro. A Assembleia electiva acontece no dia 21, data em que se escolhe também o vencedor do Prémio Mérito Teatral a ser entregue no próximo dia 27, Dia Mundial do Teatro. 

O presidente do Mindelact, João Branco, explica que mais de 50 por cento dos membros da direcção desta associação serão renovados, isto é, dos nove elementos existentes, cinco serão caras novas. Mas esta renovação acontece sobretudo devido a mobilidade social característica de Cabo Verde. “Neste momento, pelo menos três dos membros da actual direcção sequer se encontram no país e outros dois têm empregos incompatíveis com as actividades que esta direcção exige, daí a necessidade de se renovar os corpos gerentes desta associação, cujo mandato termina agora”, indica Branco, que espera continuar a fazer parte da nova equipa directiva da associação.

João Branco, refira-se, está na direcção desta associação artística e cultural desde a sua criação, excepto por um hiato de três anos para fazer o seu doutoramento. Durante este período, segundo este entrevistado, as coisas não correram como esperava, pelo decidiu voltar com a missão de recuperar o Mindelact em diversos aspectos, desde logo do ponto de vista anímico, financeiro e de imagem. “Hoje o Mindelact está com uma pujança extraordinária. Aliás, as últimas três edições do festival foram consideradas as melhores de sempre. Agora queremos retomar alguns projectos que estavam em standby por falta de condições. Estou a falar, por exemplo, do nosso Centro de Documentação que pretendemos voltar a abrir ao público. Também queremos voltar a dar uma especial atenção a dramaturgia.”

Sobre este particular, o presidente do Mindelact destaca a importância do lançamento da Colectânea de Valódia Monteiro e o Concurso Nacional de Dramaturgia que, afirma, veio dar um abanão nesta área. Na mesma linha, evoca o Curso Nacional de Dramaturgia, ministrado por Caplan Neves e que, afirma, vai contribuir para reforçar ainda mais a dramaturgia nacional. Quanto ao Prémio de Mérito Teatral, João Branco deixa claro que, ao contrário daquilo que a imprensa especula, as propostas são apresentadas em sede da AG. “Para se ter uma ideia, no ano passado foram lançados cinco nomes nesta reunião magna e Elisabeth Gonçalves foi a escolhida. Mas não tem de ser uma pessoa. Pode ser uma instituição. Aliás, há anos que não foi escolhida uma instituição. Quem sabe se será agora?” 

Relativamente a edição 21ª do Março Mês do Teatro, de acordo com este entrevistado, arranca esta quinta-feira, 05 de março, com a apresentação de “Toca Um Colectivo” na ALAIM com Cátia Terrinha. Seguem-se “Trás pra frente” no CCM com Ricardo e Christian, “Mulher sem pecado” do Teatro 17, “O arco da arte” do Grupo de Teatro da Escola Salesiana , “Mindelo Poetry Slam” de Txon Poesia. E ainda: “As palavras de Jo” do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, “Kazamento” de Ricardo e Christian e “O triunfo dos porcos” do grupo K. Cena.

O MMT foi realizado pela primeira vez em Cabo Verde no ano de 2000, mas o Dia Internacional do Teatro foi assinalado um ano antes, precisamente em 1999, com a atribuição do prémio Mérito Teatral ao grupo Juventude em Marcha do Porto Novo e ao estudioso Mário Matos, falecido.

Nesta altura, segundo João Branco, viu-se a necessidade de prolongar as festividades e fazer de março o mês da promoção do teatro aqui no país. Hoje este certame é organizado por grupos teatrais e instituições, caso por exemplo do Centro Cultural Português, que assina a realização da exposição fotográfica de Queila Fernandes, o lançamento do livro de Valódia e as apresentações do GTCCP no ALAIM. Já a Associação Mindelact garante o apoio técnico e logístico aos grupos. 

Constança de Pina

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