Silvio Nascimento

RTPÁfrica quer co-produzir “Bem-Vindos” para promover Cabo Verde

O actor angolano e apresentador do programa “Bem-Vindos” da RTPÁfrica, Silvio Nascimento, quer promover a ilha de S. Vicente e Cabo Verde lá fora. Nascimento, que esteve em S. Vicente a convite da Escola de Samba Tropical para ser figura de destaque do desfile do dia 24 de Fevereiro, aproveitou a sua estada nesta ilha para encetar as bases para um acordo de parceria para uma futurA co-produção com os Estúdios do Mindelo da TCV. Estabeleceu ainda um Convénio entre a Plataforma Digital de Streaming “Tellas” e a Associação de Cinema e dos Audiovisuais, para exibir filmes, curtas-metragens, reportagens e documentários sobre o arquipélago.

Completamente apaixonado por esta ilha, após a sua passagem por São Vicente, Sílvio Nascimento diz que neste momento aguarda apenas por uma resposta da TCV Mindelo para poder vir gravar uma série de episódios, que serão exibidos no seu programa “Bem-Vindos” da RTP África. “Fizemos uma solicitação, mas a TCV Mindelo ainda não nos respondeu. Estamos à espera da resposta para ir gravar. Quando ao Convénio com a Associação de Cinema e dos Audiovisuais de Cabo Verde, estou completamente aberto para colocar os vossos filmes na plataforma Tellas. Só precisamos de os receber”, confirma.

Esta abertura por parte do actor angolano e apresentador de televisão visa tão-somente promover S.Vicente e Cabo Verde durante uma semana do “Bem-Vindos”, totalmente produzido a partir destas ilhas. Mas, para isso, Sílvio explica que precisa dos meios técnicos da TCV Mindelo. “Temos o apresentador e a coordenadora do programa, mas o realizador e os técnicos seriam de Cabo Verde. Faríamos o programa num espaço que promovesse a ilha, com convidados do país, ou seja, quero fazer uma promoção de Cabo Verde em grande”, realça, destacando a vontade e interesse manifestados pela Delegação da TCV. “Preciso é saber se e quando vai acontecer”.

Do lado deste actor e apresentador Angolano, a disponibilidade é total. Sílvio se diz cativado pela “morabeza” da ilha de S. Vicente. “Fiquei fascinado pela ilha. Estou neste momento no programa a ouvir músicas que exaltam S.Vicente, como é caso da “Súplica”, de Djoya. Tenho uma vontade imensa de regressar. Foi a primeira das muitas visitas que pretendo efectuar a esta ilha, o que, se calhar, vai fazer com que eu vá e fique”, declarou Sílvio Nascimento, nesta entrevista feita por telefone a partir dos Estúdios da RTPÁfrica em Portugal. “Aliás, pretendo regressar muito antes do próximo Carnaval. Quem sabe para o Festival de Música da Baía das Gatas. Queremos promover Cabo Verde o quanto antes. Amanhã, ou quem sabe ainda hoje”.

Questionado sobre o que o atraiu nesta ilha, Sílvio Nascimento sequer hesita: “Fui cativado pelas pessoas, pela forma como recebem e pela “sabura” que a ilha é. S.Vicente é sem dúvidas ‘sabe’! Na semana que estive lá, conheci muitos lugares, mas também outras ilhas, designadamente Santo Antão e Sal. Estive em vários lugares históricos e culturais, conheci a gastronomia e principalmente as gentes. Adorei tudo! Hoje Cabo Verde está no meu coração. E para o ano já tenho dois convites, um do Samba Tropical, minha escola-mãe, e de outro grupo carnavalesco. Então tenho todos os motivos para regressar. Faça chuva ou faça sol, estarei em S.Vicente!”

Sílvio Nascimento deixa claro também que pretende passar a palavra e já no próximo ano trazer mais angolanos, africanos e estrangeiros em geral. “Quero trazer pessoas dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), porque Cabo Verde merece. São Vicente é uma ilha linda de morrer!”, pontua o presidente do Conselho de Administração da Tellas, uma plataforma digital de vídeos em Streaming que quer revolucionar a forma como os PALOP’s e outros países africanos exibem os seus produtos audiovisuais pelo mundo, sem precisarem sair dos respectivos países. O acesso a esta plataforma funciona através de uma subscrição, e nela pode-se encontrar uma grande variedade de conteúdos, como filmes, séries, podcasts, curtas-metragens, documentários e stand-up-comedy, alguns produzidos exclusivamente para a “Tellas”.

Quanto a Sílvio Nascimento, para além de apresentador de Televisão, venceu o Globo de Ouro “Angola 2018” na categoria Melhor Actor. Também actuou em várias Novelas do canal português SIC, com destaque para “Amor Maior”, tendo sido um dos personagens mais marcantes no papel do psicopata ‘Augusto’. Participou ainda em “Vidas Opostas” e “Paixão”. Recebeu três nomeações aos EMMY’s nos Estados Unidos da América, participou no Nacional Cultura e Art e também no FESTLIP, no Brasil.

Constança de Pina

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José Carlos da Luz

Bombeiros suspendem atendimentos devido a falta de equipamentos: CMSV estranha declarações e acusa Comandante de inércia

O vereador do Pelouro da Protecção Civil da Câmara Municipal de S. Vicente reagiu as queixas dos bombeiros e a confirmação do Comandante desta corporação, relativas a suspensão da prestação de serviços de atendimento público devido a falta de equipamentos básicos, designadamente luvas e máscaras. Para José Carlos da Luz, esta situação resulta essencialmente da inércia do Comandante que dispõe de um fundo de maneio para os casos de emergência. 

O autarca começou por lembrar que Comandante dos Bombeiros Municipais de S. Vicente é um líder e, por isso, devia ser mais contido nas suas declarações, até para não causar pânico na sociedade. “Estamos a falar de uma pessoa que está no cargo há muitos anos e que devia conhecer a lei de base do Serviço Nacional da Protecção Civil e Bombeiros”, diz José Carlos da Luz, realçando que quando se tem uma situação de epidemia é este serviço e não as câmaras municipais que determina o que se deve ou não fazer. 

No caso de S. Vicente, diz, as partes estavam em contactos e já tinham identificado as carências. Nega, no entanto, que faltavam no quartel equipamentos básicos como luvas, por exemplo. “Nos últimos dois meses fizeram varias requisições de luvas, que foram todas atendidas. Por exemplo, no dia 15 de janeiro foram entregues 10 caixas de luvas, que foram reforçadas no dia 17 e no dia 27 com mais duas caixas cada. Ontem receberam mais 10 caixas de luvas, sem falar em outros equipamentos como álcool e máscaras que foram entregues no quartel.”

Responsabilidade do Comandante

Mas o vereador deixa claro que a responsabilidade de suprir as carências dentro do quartel é única e exclusivamente do comandante que, para tal, beneficia de isenção de horário e um subsidio para o efeito. De acordo com José Carlos, é Jorge Leite quem deve procurar no mercado os materiais em falta, o que não faz por inércia, isso não obstante ter a sua disposição um fundo de maneio para situações de emergência.

“O problema é que este fundo vem sendo desviado para outros fins, nomeadamente para empréstimos aos soldados da paz em forma de vales. Também tivemos a informação de que 21 mil escudos foram roubados deste fundo por isso estamos a fazer uma averiguação neste momento”, refere o autarca, para quem o dinheiro deveria ser usado apenas para suprir as necessidades básicas. 

O vereador nega também, veementemente, que os bombeiros tenham esperado três meses para terem uma resposta sobre uma requisição de luvas. Aliás, diz, a base da CMSV mostra que todos os pedidos são atendidos em tempo útil. “Por causa do coronavírus já vínhamos fazendo demarches junto do SNPC e Bombeiros para a disponibilização de outros equipamentos para que os nossos bombeiros pudessem estar preparados em caso de necessidade. Também receberam uma formação especifica”, constata. 

Relativamente aos fatos de protecção em falta, José Carlos da Luz garante que conseguiram localizar na tarde de ontem uma loja em S. Vicente com algum material em Stock, mas volta a repetir que este não é trabalho do vereador. “Cabe ao comandante e ao seu staff suprir o quartel dos materiais em falta. É também sua responsabilidade informar a CMSV, o que só aconteceu ontem após ter sido contactado pela imprensa”, pontua.

Este aproveitou para criticar a postura pouco profissional dos soldados da paz de suspenderem o atendimento geral, sendo que no quartel possui um serviço de triagem  e sabiam, de antemão que tipo de serviço foi-lhes solicitado. “Entendo a recusa se tivessem sido chamados para um caso de gripe, mas para um desmaio numa escola ou uma queda, negar atendimento é falta de profissionalismo.”

O Mindelinsite conseguiu confirmar junto dos bombeiros e do próprio Comandante que, durante a tarde de ontem, foram entregues no quartel, um kit com luvas mais resistentes, mascaras e álcool e que estão a aguardar a chegada, nos próximos dias, de fatos descartáveis e óculos de protecção. O trabalho, que tinha sido suspenso, foi retomado imediatamente após a entrega destes equipamentos. 

Constança de Pina

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Foto publico.pt

Germano Almeida animado: “Não gostaria de ficar na história como a pessoa que trouxe o coronavírus para minha terra”

O escritor Germano Almeida está a sentir-se física e psicologicamente saudável, apesar da ameaça de ter trazido consigo o coronavírus Covid-19 de Portugal, na sequência da sua participação num festival internacional de autores. Em conversa telefónica mantida com o Mindelinsite esta manhã, o premiado escritor mostrou-se animado e confirmou que deu um abraço ao colega chileno Luís Sepúlvuda, que foi entretanto diagnosticado com o vírus.

Segundo Almeida, chegou a S. Vicente com uma pequena gripe e decidiu por precaução ficar sob quarentena. “Não gostaria de mais tarde ficar na história como a pessoa que trouxe o coronavírus para a minha terra”, diz meio a brincar. No fundo, o escritor está convencido que as análises vão dar negativo. Como diz, a gripe começa a regredir e os primeiros exames não revelaram nada de preocupante.

“Estou à espera da análise clínica propriamente dita do vírus para saber se saio já daqui directo para a minha casa ou se vou para outro sítio”, comenta Almeida, para quem não há razões para alarmes sociais por causa da suspeita. “É só confrontarmos a quantidade de pessoas infectadas com a taxa de mortes”, lança esse paciente, que está disposto a fazer o tempo de quarentena necessário em concertação com as autoridades sanitárias.   

Desde a tardinha de ontem que Germano Almeida se encontra internado num pequeno quarto no hospital Baptista de Sousa. O escritor está isolado e se sente “meio enjaulado” nesse espaço exíguo, muito por causa do seu grande tamanho. Questionado sobre as condições que dispõe no quarto, Almeida salienta que o hospital nunca apresenta “boas condições”, estas, diz, só as poderá ter na sua residência. Ciente de que vai passar alguns dias isolado, o escritor está neste momento a ver como poderá aproveitar esse tempo para ler e escrever alguma coisa.

Kim-Zé Brito

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Droga PJ

Casal detido com cerca de 2,5 kg de cannabis na Boa Vista

O casal detido na última quinta-feira, 27 de Fevereiro, em flagrante delito pelo departamento de Investigação Criminal da Policia Judiciaria na ilha da Boa Vista com 2.402 gramas de cannabis, foi presente às autoridades judiciais para efeito de validação das apreensões e legalização da prisão. Mas desconhece, pelo menos por enquanto, a medida de coacção aplicada. 

De acordo com informações disponibilizadas pela PJ, o casal tem idade compreendida entre os 20 e os 30 anos. Foram detidos no Porto de Sal-Rei na posse de 2,402 gramas de cannabis. 

Em tempo lega, diz ainda a nota, os dois elementos foram presentes ao tribunal da Comarca da Boa Vista para validação das apreensões, legalização da detenção, primeiro interrogatório e aplicação de medida de coacção pessoal. No entanto, desconhece-se a decisão da justiça.

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Gas butano

Novos preços máximos dos combustíveis: Gás butano volta a aumentar

Desde às zero horas de hoje, domingo, 01 de Março, o gás butano está a mais caros, de acordo com a nova tabela de preços máximos dos combustíveis divulgada pela Agência Reguladora Multissectorial da Economia (Arme). O gás butano a granel custa neste momento 138,30 escudos o quilo, enquanto os restantes combustíveis ficaram mais baratos. 

De acordo com a nova tabela, o gasóleo normal passa a ser vendido a 94,40 ESC/L, a gasolina a 121,10 ESC/L, o gasóleo para electricidade a 79,20 ESC/L, o gasóleo para marinha a 66,90 ESC/L, o fuel 380 a 61,90 ESC/L e o fuel 180 a 66,20 ESC/L.

O petróleo está a ser comercializado a 82,90 ESC/L, enquanto o gás butano a granel passa a custar 138,30 escudos, traduzindo-se num aumento de 3,91%. Com isso, as as garrafas de 3Kg estão a custar 394 escudos, as de 6Kg estão a ser vendidas por 830 escudos, as de 12,5Kg passam a 1729 escudos e as de 55Kg passam a 7.607 escudos.

A ARME informa ainda que os preços do gasóleo normal baixou 7,27%, o do gasóleo electricidade 8,55% e o gasóleo marinha 8,73%. A gasolina diminuiu 3,81% e o petróleo 9,10%. A agencia diz ainda que, comparativamente ao período homólogo, os preços dos combustíveis nos mercados internacionais apresentaram descidas durante o mês de Fevereiro (de 7,75%) em relação a Janeiro, com a excepção do butano.

Desta forma, prossegue, as cotações da gasolina, do gasóleo e do fuel diminuíram 7,91%, 2,14% e 3,63%, respectivamente, enquanto o butano aumentou 8,81%. Já os preços do petróleo nos principais mercados internacionais recuaram no mesmo período cerca de 12,5%, essencialmente pela reacção dos mercados à divulgação de novos casos de coronavírus, na Coreia do Sul, Irão, e na Europa.

A situação de Itália é também destacada no comunicado da Arme, assim como a preocupação dos investidores com o facto de não haver acordo no seio da OPEP quanto a uma maior redução dos cortes de produção do petróleo. Os novos valores do parâmetro CP e os preços máximos de venda ao consumidor dos combustíveis vigoram de 01 a 31 de Março.

CP

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Antonio Monteiro 2

UCID exige do Governo garantias de segurança do navio “Chiquinho” e denuncia pressão sobre os inspetores marítimos

A União Cabo-verdiana Independente e Democrática convocou hoje a imprensa no Mindelo para exigir do Governo garantias inequívocas de segurança do navio “Chiquinho”. O presidente do partido, António Monteiro, garante que auscultações feitas a capitães e marítimos com larga experiência deixam claro que o navio tem grandes fragilidades e que qualquer alteração, designadamente no costado da embarcação deverá ser supervisionada pela construtora por forma a evitar novos constrangimentos. O líder democrata-cristão alerta que não vai consentir que se faça pressão sobre os inspectores para que seja autorizado o seu funcionamento. “Há problemas e é pena que estão a ser encarados de ânimo leve”, desabafa. 

Segundo o presidente da UCID, o seu partido deste a primeira hora tem abordado a questão da concessão das linhas marítimas de Cabo Verde de forma responsável. A prova disso é que estranhou a forma como o processo decorreu e optou por apresentar uma queixa na Procuradoria-Geral da Republica. “Entendemos que houve irregularidades graves no processo que devem ser sanados, que têm a ver com a adjudicação da concessão a empresa CV Interilhas. A UCID entende que não foram cumpridas minimamente aquilo que o Caderno de Encargos impunha. Entendemos ainda que o contrato é lesivo aos interesses nacionais porquanto o valor que se vai pagar nos próximos 20 anos da concessão são enormes para a dimensão de Cabo Verde. Por outro lado, reclamamos a imposição pelo Governo do monopólio que, do nosso ponto de vista, vem estrangular e dificuldade o desenvolvimento económico do país. Por tudo isso, a UCID exige a anulação da concessão.”

António Monteiro lembra que, na altura, a empresa prontificou-se a apresentar cinco navios, o que não aconteceu. Ao contrario, recorreu aos barcos existentes no país para se iniciar as operações. O mais caricato, prossegue, é que para que isso fosse possível, a Cabo Verde Fast Ferry teve de deixar de operar, numa altura em que já dava sinais de estar a inverter a tendência de prejuízos. “Fomos confrontados com o aluguer de uma outra embarcação, o San Gwann, cujos custos operacionais desconhecemos mas que serão assumidos pelos contribuintes. E o Governo, fazendo eco dos anúncios da companhia, anunciou a vinda de mais um navio novo, que seria o primeiro da propriedade da CVI. A sua chegada foi anunciada por diversas vezes, o que veio acontecer a poucas semanas. Infelizmente não é propriedade da CVI.”

Garantias de segurança 

Para a UCID, a questão da propriedade ou aluguer do navio Chiquinho não é relevante. O partido quer sim garantias de segurança para navegar nos mares de Cabo Verde, sem colocar em risco a vida das pessoas e o transporte de mercadorias.  Quanto a sua certificação, afirma, o que se sabe é que o barco fez a viagem com um certificado provisório emitido pela Fenix Register off Shipping, uma sociedade certificadora grega com bandeira do Panamá. De acordo com Monteiro, a construção do “Chiquinho” começou em Maio e foi concluído em Novembro de 2019, o que o leva a concluir que se trata de uma embarcação nova. Mas a questão aqui, diz, é saber quem mandou construir esta embarcação e tinha como finalidade navegar em mares abertos ou interiores (rios).“Normalmente os navios são construídos por encomenda. Foram construídos quatro com as mesmas características. Aliás, os restantes três estão a ser anunciados no site da multinacional alibaba.com por cinco milhões e 300 mil dólares cada um.”

Para o presidente da UCID, esta embarcação é uma novidade em Cabo Verde pelo que é preciso alguma cautela e estar-se completamente seguro das decides a serem tomadas. Segundo Monteiro, nesta situação a expertise é a chave do seu sucesso. Instado a precisar se o navio é alugado, conforme denuncia feita no Parlamento pelo deputado do PAICV, João do Carmo, este alega que basta consultar a Organização Marítima Internacional para se tirar todas as dúvidas. “Infelizmente, o barco não é propriedade da CVI, mas isso pouco importa. Entendo que alugar um barco foi talvez uma forma de mostrar serviço. O próprio Governo veio dizer que o barco era da empresa, quando é pertença da Sofrena, uma sociedade de afretamento  e navegação que é uma sucursal do Grupo ETE”, clarifica. 

Questionado sobre quem exactamente a UCID está a questionar sobre as condições de segurança da embarcação, o líder cristão-democrata é taxativo: o Governo. “Temos reservas em termos deste navio ao apanhar uma onda com uma volume de água superior a 1.5 metros, que se regista em mar aberto. Entendemos que a sua reserva de flutuabilidade não será suficiente para dar tranquilidade aos cabo-verdianos. Mas cabo ao Governo, através dos técnicos competentes, dizer se o navio é seguro. E nós da UCID iremos acatar qualquer que seja a decisão”, pontua. 

ACAMM aponta debilidades

Confrontado com as informações avançadas pela Associação dos Armadores da Marinha Mercante (ACAMM), que apontou debilidades “Chiquinho”, António Monteiro concorda que esta entidade é a melhor posicionada para tecer este tipo de comentário. Mas isso não isenta o Governo das suas responsabilidades. “O Governo tem de tranquilizar os cabo-verdianos, mas tem de sustentar a sua posição em dados e cálculos de estabilidade do navio. Os próprios deputados da Nação já solicitaram estes dados para que quem entrar no navio esteja tranquilo e confiante.”

Este líder questiona, igualmente, a solução apresentada pela empresa para a protecção da carga, que passa por cobrir os carros e as mercadorias com lonas. Para António Monteiro, esta é uma resposta de quem não está pensa bem. Segundo o presidente da UCID, Cabo Verde precisa de um navio que facilita a movimentação de carga e, ao falar em cobertura com lonas, perde-se eficácia e eficiência, o que leva este deputado a deixar um alerta à CVI e ao Governo. “Não iremos consentir que se faça pressão sobre os inspetores para autorizarem o funcionamento do navio Chiquinho, sem estarem conscientes dos perigos que possa vir a ter. Se as coisas fossem tão lineares como querem fazer crer, o registo já estava feito. Toda esta demora mostra que há problemas e é pena que estejam a ser encarados de animo leve.” 

Instado a precisar que tipo de pressão está a ser feito, António Monteiro exemplifica com a atitude dos deputados do MpD na última sessão Parlamentar em que se debateu a questão dos transportes marítimos. “Se aquilo que vimos e assistimos não foi pressão, então não sei o que foi. Foi uma pressão muita clara por parte do partido no poder”, sentencia, que aproveita para lembrar que toda esta celeuma resulta do facto deste navio, não obstante estar sob a responsabilidade de uma empresa privada, os custos são pagos pelos contribuintes. De acordo com Monteiro, os cabo-verdianos precisam saber que vão pagar 12 milhões de contos nos próximos 20 anos em subsídios  para a CVI. “Estamos a falar de bens públicos. Sao os contribuintes que estão a pagar a mobilização deste navio, que foi afretado.”

Constança de Pina

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Marco Bento Ligoc

Ligoc vai manter sistema de divulgação de resultados e transformar o momento em espectáculo

A Ligoc vai manter o sistema de divulgação dos resultados do júri inaugurado este ano, mas tenciona transformar esse instante num espectáculo próprio. Marco Bento, presidente da Liga, reconhece que o modelo é moroso e desgastante, mas frisou que foi adoptado a pedido dos próprios grupos.

“As coisas demoraram mais do que o esperado por ser a primeira vez e porque houve alguns erros, mas vamos tentar rectifica-los para o próximo ano”, garante Bento, que defende a mudança do horário da atribuição dos prémios para o período da noite. Isto para evitar a exposição das pessoas ao calor do Sol, como aconteceu ontem à tarde. Algumas das figuras de destaque dos grupos ficaram extasiadas depois de horas em pé e duas delas chegaram a desfalecer.

O anúncio dos vencedores estava previsto para as 15 horas, mas a abertura das urnas e a leitura e a consequente divulgação dos resultados das três cabines de jurados para os nove quesitos começou uma hora mais tarde e terminou já noite. Tudo isso provocou um grande desgaste em toda a gente e deu azo a uma onda de críticas.

No entanto, Marco Bento entende que esse sistema deve continuar porque atribui mais transparência ao processo. Como recorda, antes tudo era decidido nos bastidores e dava espaço a várias suspeitas. Admite, no entanto, a necessidade de melhorias no sistema de modo a acelerar o anúncio dos resultados e que esse momento seja transformado em mais um espectáculo do Carnaval.

Este ano, segundo Bento, todos os grupos estão de parabéns pelo “excelente” desfile apresentado. Para ele, este foi um dos melhores concursos realizados no Mindelo, apesar das dificuldades enfrentadas pelos grupos e a própria Liga.

“Tivemos dificuldades porque o Carnaval foi disputado por cinco grupos, o que foi um grande desafio. Um dos pontos críticos era a zona de dispersão dos grupos”, reconhece o presidente da Ligoc-SV, para quem o Carnaval de S. Vicente está a crescer, o que implica tomadas de decisões. Na sua perspectiva, ou o concurso passa a ser disputado em dois dias – com o envolvimento de mais grupos – ou será imperioso passar o desfile para a noite.

Marco Bento não pôde confirmar se a Ligoc vai aplicar a regra de descida de divisão este ano. Esta medida, diz, vai depender de mudanças a serem introduzidas tanto nos Estatutos como no Regulamento do concurso. “Já pedi aos grupos para fazerem isso com urgência porque, tal como está, o Estatudo não permite a criação de uma segunda ou terceira divisão. Mas, se os actores se sentarem à mesa e rectificarem certas coisas ou suprimirem outras teremos as necessárias condições para criar a segunda divisão e passar os desfiles para dois dias, se for preciso”, salienta Marco Bento.

Questionado se essas mudanças podem ser aplicadas com rectroactividade, admite que isso seja possível. Este enfatiza que Mindelo teve um Carnaval de excelência este ano, fruto de uma maior motivação geral, e que a criação da segunda divisão será um passo positivo.

Jornalistas indignados com limitações

Entretanto, a cada ano, jornalistas e fotógrafos têm vindo a enfrentar barreiras e novas regras para darem cobertura ao Carnaval. Nesta edição, os grupos carnavalescos decidiram que, com excepção da RTC – que comprou os direitos de transmissão – os profissionais dos outros órgãos de comunicação social e fotógrafos independentes só poderiam entrar na área reservada às figuras de destaque em frente ao Palácio do Povo após a divulgação dos resultados. A informação foi avançada durante um encontro preliminar e deixou os jornalistas estupefactos.

O problema era saber como iriam recolher dados, imagens e depoimentos estando no meio do público e os riscos de desinformação que isso poderia acarretar. Isto sem contar com o facto de a imprensa ser ao longo do tempo uma das grandes aliadas da promoção do Carnaval de S. Vicente, para não se falar na liberdade de informação consagrada.

A preocupação foi levada à consideração da Ligoc-SV pela assessoria de comunicação e lá deixaram que os jornalistas e fotógrafos entrassem e ficasssem confinados nas traseiras do palco. Estes, tal como as outras pessoas, ficaram durante horas expostos ao calor só para acompanhar esse importante evento sociocultural. Depois tiveram acesso ao espaço reservado às figuras de destaque, mas sempre com restrições.

Esta situação provocou um debate entre os profissionais da comunicação social, que levantaram a hipótese de “boicotar” a cobertura jornalística do Carnaval a continuar esse tratamento.

Kim-Zé Brito

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vigilantes manifestacao

Vigilantes fazem balanço positivo da greve, mas denunciam ameaças

Os vigilantes de São Vicente fazem um balanço positivo da greve que terminou às 8h desta quinta-feira e que teve duração de 72 horas. O delegado do Sindicato Indústria Geral, Alimentação, Construção Civil, Agricultura e afins (SIACSA) garante que a adesão foi de cerca de 90% e que muitos postos importantes, caso do Aeroporto Cesária Évora, ficaram desfalcados. Heidi Ganeto denuncia, no entanto, casos de pressão e ameaças aos vigilantes, sobretudo os que estão a começar agora e que não estão sindicalizados. 

A greve terminou as 8 horas desta quinta-feira e, durante estes três dias, os vigilantes concentraram na Praça Dom Luis em São Vicente, mostrando união e vontade de lutar. “Tivemos uma adesão a volta dos 90% nos três dias de greve. Por causa disso, alguns postos ficaram sem cobertura, ou seja, sem presença de vigilantes. Sabemos que algumas empresas tiveram de recorrer a outras empresas para recrutar vigilantes para garantir a sua segurança durante a greve. No aeroporto, por exemplo, apenas três vigilantes estiveram de serviço”, confirma este delegado sindical. 

Questionado sobre o timming, não tirou protagonismo a greve, Heidi Ganeto explica que os vigilantes escolhem sempre uma data relevante para reivindicar e o Carnaval é a festa que mais pessoas movimenta. Lembra ainda que os vigilantes também fazem parte da segurança de Cabo Verde, pelo que era importante paralisar agora. “Concordo que o carnaval tirou algum brilho a nossa greve. Mas a nossa intenção era chamar a atenção da sociedade, do Governo e das empresas para a situação dos vigilantes de Cabo Verde. É injusto um vigilante com 10 ou mais anos de serviço receber o mesmo salário que um que está a começar agora”, assevera. 

Heidi lembra que a classe está a reivindicar a efectivação do Preço Indicativo de Referência (PIR), que garante a implementação do Acordo Colectivo de Trabalho (ACT), assinado em 2017. O documento, publicado em 2018, refere, propõe a implementação de uma nova grelha salarial, o descongelamento das progressões e reenquadramento nas carreiras profissionais. O PIR atribui ainda um preço único por posto no sentido de evitar a concorrência desleal no sector da segurança privada.  

Sobre todas estas reivindicações, este delegado sindical garante que não tiveram feetback das empresas e nem do Governo pelo que, ainda antes do término da greve, os vigilantes reuniram e decidiram marcar uma nova greve a partir de 25 de Março. “Estamos disponíveis para negociar. No entanto, caso as partes continuem a nos ignorar vamos avançar para uma nova greve a partir do dia 25 do próximo mês”, completa Heidi Ganeto, para quem os vigilantes já estão cansados de esperar por uma resposta. 

Constança de Pina 

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Cadeiras

Dezenas de pessoas pernoitam nas ruas de morada para marcar lugar

Dezenas de pessoas – homens e mulheres, jovens e adultos -, passaram a noite e/ou madrugaram nas ruas de morada para reservar  os melhores lugares para assistir o desfile oficial do Carnaval.  Algumas posicionaram-se logo após a passagem da Escola de Samba Tropical e dormiram literalmente sentados em cadeiras de plástico e bancos de madeira. Outros chegaram antes dos primeiros raios-do-sol. Tudo para não perder pitada desta festa.

“Ontem não consegui ver o desfile do Samba Tropical porque havia muita gente e fiquei para trás. Então decidi ir para casa buscar um banco e vir cedo marcar um lugar para poder assistir o Carnaval sem problema”, diz Margarida Silva, que aproveita para criticar os preços elevados das cadeiras nas arquibancadas praticados pela Câmara Municipal de São Vicente para “algumas horas” de desfile. “Assim só os ricos conseguem ver o Carnaval, que é feito pelos pobres”, desabafa.

António Delgado conta que chegou de madrugada na Rua de Lisboa para marcar um lugar para a companheira e o filho menor. “No meu caso, estou aqui desde por volta das quatro da manhã para marcar um lugar para a minha companheira e nosso filho. Não tenho nem 1000 e nem 1.500 escudos para comprar uma cadeira, então o jeito é improvisar. Eu não preciso porque nunca fico parado. Gosto mesmo é de ver o Carnaval circulando”, diz.

Já Paulo Brito está “guardar” um lugar para uma amiga. Este jovem jura de pés junto que não está a ganhar ou a negociar o espaço. “O negócio do Carnaval é da CMSV. Estou aqui apenas a guardar um lugar para uma amiga. Não estou a receber nada por isso. É apenas um gesto de amizade”, garante este jovem, que pernoitou na Rua Baltazar Lopes da Silva para garantir um bom lugar para esta amiga para que ela possa assistir os desfiles.

Estes são apenas alguns relatos das dezenas de pessoas que passaram a noite ou a madrugada de hoje em cadeiras de plástico e de madeira ao longo das ruas de Lisboa e Baltazar Lopes da Silva. Mas a criatividade dos mindelenses salta a vista com alguns a “prenderem” os seus assentos com cadeados ou amarrados, outros a colocarem caixas de frutas, blocos de cimentou, cartões ou papelões para marcar um lugar.

Constança de Pina

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Neusa de Pina

Neusa de Pina faz a sua estreia no Carnaval d’Soncent como figura de destaque do Montsu

A cantora Neusa de Pina será uma das figuras de destaque do grupo Monte Sossego no desfile oficial do Carnaval do Mindelo. A artista confidenciou ao Mindelinsite que está ansiosa porque será a sua estreia na festa do Rei Momo na ilha de S. Vicente e logo num dos grémios mais emblemáticos da cidade.

“Tenho uma grande paixão pelo Carnaval e foi muito bom receber o convite para estar nesta grande festa com o Montsu”, disse Neusa, que se mostra honrada com o convite do grupo da “terra d’indio”. Segundo a cantora, tudo começou num ambiente de brincadeira a quando do lançamento do CD “Badia di Fogo” em S. Vicente, em Fevereiro de 2019.

“Fiz a apresentação do trabalho no Fogo, Santiago e em S. Vicente e tive casa cheia aqui no Mindelo, um lugar onde sou muito acarinhada. Em jeito de brincadeira, disse que viria desfilar pelo Montsu este ano. Para meu agrado recebi o convite e cá estou com a alegria que me caracteriza para estar com este povo maravilhoso na Rua de Lisboa”, diz a artista.

Apesar da insistência do jornalista, Neusa evitou revelar mais informações sobre a sua participação no desfile do Monte Sossego. Questionada se vai cantar, apenas disse que já sabe a letra da música. “A música do Constantino é excelente, tem melodia e uma letra muito bem concebida. Estive a fazer uma comparação sobre as figuras das lendas e estórias de gongon entre S. Vicente e a ilha do Fogo, a ver as semelhanças e diferenças. Muito interessante”, comentou Neusa de Pina, que veio directamente da cidade de Boston para a do Mindelo para sentir a “vibe” do Carnaval do Mindelo. Para ela, o importante é que a festa decorra na paz e harmonia.

Kim-Zé Brito

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