Arlindo-Rosario-Ministro-Saude

Covid-19: Cabo Verde regista primeira cura e encomenda mais ventiladores

Cabo Verde registou a primeira cura de um paciente infectado com o coronavírus Covid-19. Trata-se de um funcionário da Polícia Judiciária, um homem de 43 anos chegado da Europa, cujo teste deu positivo na cidade da Praia no passado dia 25 de Março. Segundo o ministro Arlindo do Rosário, o doente concluiu o tratamento e está agora livre do vírus. No entanto, como deixou perceber o Director Nacional da Saúde, essa pessoa permanecia ainda internada no hospital Agostinho Neto, juntamente com a esposa, que continua contaminada, e duas crianças, que estão isoladas e aguardam novos resultados laboratoriais para se saber se contraíram o coronavírus.

Na conferência de imprensa diária, o ministro da Saúde confirmou que os testes a oito suspeitos da Boa Vista deram resultado negativo e que 106 das 107 pessoas confinadas no hotel Riu Palace saíram do regime de quarentena. Antes de irem para as respectivas casas tiveram de assinar um termo de responsabilidade, no qual se comprometem a respeitar a quarentena domiciliar pelo período de 14 dias. “Estas pessoas, não estando infectadas, podem contrair o vírus”, relembra Arlindo do Rosário, que confirmou estar em curso negociações com a China e Cuba para envio de especialistas para ajudar Cabo Verde a combater a propagação do Covid-19. Os termos do acordo com Cuba devem ser discutidos ainda hoje.

Isto quando as autoridades sanitárias nacionais estão a programar um encontro com a Organização Mundial da Saúde e um especialista cabo-verdiano, com a possível presença de jornalistas, para analisarem os cenários possíveis de evolução da epidemia no arquipélago. Segundo o ministro Arlindo do Rosário a apresentação vai fazer previsões, mas é certo que o número de infectados não vai diminuir por enquanto.

As estruturas de saúde, segundo o ministro, dispõem neste momento de 50 ventiladores, número que pode aumentar para 120 antes do final do mês de Abril. Conforme ainda o governante, a quantidade de leitos disponível nas unidades sanitárias e estruturas privadas é também satisfatória.

KzB

 1,830 total views,  6 views today

HBS

Hospital e Delegacia admitem falhas no processo da paciente contaminada em S. Vicente: M. Saúde determina abertura de inquérito

A Delegacia de Saúde e o Hospital Baptista de Sousa reconheceram que houve falhas na condução do processo relativo à paciente chinesa infectada com coronavírus, tendo agora o ministro da Saúde determinado a abertura de um inquérito para se apurar os erros e as responsabilidades. Segundo o Arlindo do Rosário, manda a verdade e o compromisso com a saúde pública que todos os factos referentes ao caso sejam devidamente esclarecidos, mas deixou claro que nem por isso a sua confiança na capacidade dos profissionais da saúde de S. Vicente ficou abalada.

“(…) mas o meu maior compromisso é com a segurança e a saúde dos cabo-verdianos. Este não é um momento de desunião, pelo contrário, somos poucos para a tarefa que nos espera”, frisou o governante em conferência de imprensa esta tarde, ele que prometeu agir em conformidade com os resultados do inquérito.

Seguro é que mais de uma centena de pessoas foi colocada na lista de casos suspeitos, na sequência da contaminação da paciente chinesa de 56 anos. Do grupo, 86 ficaram em quarentena domiciliar e os restantes no Centro de Estágio da FCF e num hotel. Tratam-se dos técnicos de saúde que entraram em contacto com a infectada no Medicentro e no HBS, assim como os seus familiares. Desse leque faz parte o médico da clínica privada que, como confirmou o referido ministro, apresenta dificuldades respiratórias. Já a chinesa, que deu entrada no HBS com uma forte pneumonia, o seu quadro clínico tem estado a evoluir positivamente.

As amostras para análise laboratorial de sete dessas mais de cem pessoas devem chegar ainda hoje à cidade da Praia, pelo que os resultados serão anunciados logo amanhã. O material será transportado por um avião fretado, que se deslocou da Praia para Mindelo, trazendo a bordo materiais e equipamentos para os trabalhadores da assistência social – que têm estado a dar cobertura a famílias vulneráveis – e uma técnica de epidemiologia para reforçar a equipa do HBS. 

Segundo Arlindo do Rosário ainda é cedo para se dizer que S. Vicente tornou-se na ilha de maior risco devido a uma possível transmissão comunitária do vírus. Como realçou, essa classificação só será atribuída se for impossível determinar a fonte ou a possível fonte de contaminação. Neste momento as autoridades sanitárias já têm as suas suspeitas, que poderão ser confirmadas ou descartadas amanhã com os resultados dos testes. Em breve, realçou o Director Nacional da Saúde, S. Vicente e outras ilhas vão passar a fazer os testes de Covid-19, uma medida que visa acelerar a obtenção de resultados e diminuir os custos com os transportes das amostras.

Kim-Zé Brito

 3,292 total views,  20 views today

Coronavirus

Delegacia de Saúde vai investigar carta sobre histórico de atendimento da paciente com Covid-19: Clínica Medicentro afirma que seguiu triagem protocolar

A Delegacia de Saúde de S. Vicente vai abrir um inquérito para apurar a veracidade de uma carta que anda a circular nas redes sociais e que descreve o histórico do atendimento da cidadã chinesa contaminada com o Covid-19. O Delegado de Saúde Elísio Silva já teve conhecimento da carta, que foi supostamente redigida por uma enfermeira e endereçada ao ministro da Saúde, e assegurou ao Mindelinsite que vai investigar as situações relatadas na missiva. 

“Queremos realçar que só tivemos conhecimento do caso no dia 31 de março após o isolamento da paciente. Confirmamos que ela foi atendida na clínica privada Medicentro e depois encaminhada para o hospital Baptista de Sousa. De momento é tudo o que podemos adiantar”, assegurou Elísio Silva, que deverá remeter dados mais pormenorizados ao Ministro da Saúde sobre o caso.

A mensagem, que já foi partilhada por um número elevado de internautas, relata que a paciente esteve vários dias em consulta na clínica Medicentro, antes de ser encaminha para o HBS. Chegado a este estabelecimento público, foi atendida no banco de urgência, espaço onde normalmente estão outras pessoas, e depois internada no serviço de Medicina. A chinesa, prossegue a nota, passou 4 dias internada nesta área e tratada como se tivesse uma pneumonia provocada por outra agente, que não o coronavírus.

Conforme o post, perante os sintomas da paciente, uma enfermeira disse a uma médica que, para ela, tratava-se de um caso com semelhanças de alguém contaminado por Covid-19. No entanto, a médica não gostou desse comentário, pelo que ela a enfermeira tiveram um desentendimento. Na sequência disso, a enfermeira teve que ir “responder” perante a direcção do HBS, que lhe aplicou 15 dias de casa, “para ir descansar a cabeça”, já que estaria a provocar pânico no hospital.

Depois disso, por sorte, uma outra médica resolveu levar em conta o pensamento da enfermeira e pedir um TAC”, exame que viria a mostrar que o pulmão da chinesa esta “destruído”, mas que não era sinal de cancro.

Foi a partir deste momento que, conforme o(a) autor(a) da publicação, é que a paciente foi colocada em isolamento. “Imagine-se só quantas pessoas podem ter ficado contaminadas nessa cadeia de contacto que os responsáveis esconderam, ou por incompetência não souberam diagnosticar um caso de Covid (…)”, alerta a carta aberta ao Ministro da Saúde, frisando que, se surgirem outros casos positivos em S. Vicente, o Delegado de Saúde e a direcção do HBS devem pedir demissão. Como fica evidente nessa nota, houve pessoal do HBS que esteve em contacto com a chinesa e depois foi para casa, podendo ter transportado o vírus e colocado as respectivas famílias em perigo.

Medicentro afirma que protocolo Covid-19 deu negativo por duas vezes

A paciente de origem chinesa diagnosticada com Covid-19 foi realmente atendida na clínica Medicentro por duas vezes. Como explica o Dr. Andrés Fidalgo, Director da clínica, a primeira consulta aconteceu no dia 25 de Março, tendo a paciente apresentado um quadro de tosse, febre e constipação. Imediatamente, diz o Director, a paciente foi submetida à Triagem Protocolar do Questionário para casos suspeitos de contaminação pelo coronavírus, mas o resultado deu negativo. É que, conforme os dados fornecidos pela paciente e o seu marido, negaram ter viajado nos últimos 15-20 dias e que tiveram contacto com alguém vindo de fora no espaço de 15-20 dias. “Se as respostas são positivas, a paciente é logo colocada numa sala de isolamento, recebe equipamentos de protecção individual e acionamos o protocolo da Delegacia de Saúde. Neste caso, o questionário deu resultado negativo”, frisa o Dr. Andrés.

Segundo esse médico, a mulher de 56 anos foi mesmo submetida a alguns exames e a um Raio-x, exame que detectou uma broncopneumonia que apontava para origem bacteriana ou uma possível Tuberculose. Entretanto, a tuberculose foi descartada depois de dois estudos de BK, tendo a clínica passado um tratamento com antibióticos pelo período de dois dias, mediante acompanhamento. Assim, a paciente regressou no dia 27 para controlo, mas o seu quadro clínico estava pior. Concluíram na clínica que se tratava de uma pneumonia atípica e encaminharam a cidadã chinesa para o hospital, mas com as devidas medidas de protecção. 

No HBS, prossegue Andrés, a paciente voltou a ser submetida ao questionário indicado para o Covid-19, que deu de novo negativo. “No hospital viram que o quadro clínico da paciente não estava a melhorar e submeteram-na a um TAC depois de 2 dias de tratamento convencional. O resultado deste exame foi sugestivo, apontava para um caso de Covid-19 ou uma tuberculose miliar. A paciente foi isolada, retiraram amostras que depois vieram confirmar a ocorrência de um caso positivo de Covid-19”, revela o Dr. Andrés, para quem o pessoal técnico do HBS agiu de forma correcta, ao seguir o protocolo cientificamente orientado pela OMS.

Para este médico, que diz conhecer muito bem a paciente e a sua família, a mulher foi sincera nos dados fornecidos durante os interrogatórios a que foi submetida. Como enfatiza, é verdade que ela e o marido não viajaram no período considerado normal de incubação, enquanto que a filha regressou a S. Vicente por altura do Carnaval. Este pediatra acrescenta que a chinesa é tradutora, mas deixou de ter contacto com os clientes vindos da China por causa do cancelamento dos voos internacionais. 

Kim-Zé Brito

 7,204 total views,  12 views today

Holanda

Cônsul-geral de Cabo Verde nos Países Baixos com dificuldade em obter dados sobre mortes por Covid-19 na comunidade

Famílias originárias de Cabo Verde radicadas nos Países Baixos (Holanda) estão a tentar esconder as causas da morte de seus ente-queridos, atitude que tem dificultado o apuramento de dados sobre vítimas do Covid-19 no seio da comunidade, conforme apurou o Mindelinsite junto de pessoas destacadas. Em conversa via WatsApp com o Cônsul-geral de Cabo Verde em Roterdão, este jornal conseguiu verificar a dificuldade de Gregório Semedo em apurar e confirmar os dados junto da comunidade e das entidades sanitárias naquele país.

“Tudo indica que faleceu uma pessoa cujo teste tinha acusado positivo”, disse o Cônsul Gregório Semedo, que fez saber ainda que continua a diligenciar esforços no sentido de poder confirmar os dados sobre possíveis outros casos de infeção e de prováveis mortes no seio dos emigrantes.

“Aqui na Holanda, as pessoas são muito fechadas, mas a realidade é esta”, disse-nos Margarida Mendes, uma das responsáveis do grupo “Fidjos di Terra” de cabo-verdianos que vivem no agora chamado Países Baixos. Esta responsável comunitária dá-nos conta do falecimento de um senhor que vai a enterrar na segunda-feira, cuja morte, de acordo com Margarida Mendes, foi provocada pela Covid-19. Esta fonte indica ainda o falecimento de mais uma pessoa na sexta-feira por coronavírus. Instada a pronunciar sobre o facto de o próprio Cônsul-geral não ter conhecimento oficial destes casos, Margarida Mendes desafiou Gregório Semedo a procurar estas informações por considerar de muito importante este procedimento.

Por outro lado, o nosso jornal ouviu Osvaldo Brito, o promotor do “Letra das Ilhas”, um veículo de informação e notícias para a comunidade cabo-verdiana na Holanda, que acabou por confirmar a dificuldade em se conseguir este tipo de dados junto das famílias, por estas demonstrarem reservas em se expor.

No entanto, hoje domingo, Osvaldo Brito anunciou no programa “Nação Global”, da RCV, o registo de quatro mortes, mas sem contudo citar fontes.

João do Rosário (Portugal)

 2,390 total views,  2 views today

torneira covid

Covid-19: Electra suspende distribuição de facturas e cortes por não pagamento do fornecimento de água e energia

A Electra suspendeu a distribuição de facturas para os consumidores que recebem a conta em casa e os cortes por não pagamento do consumo de electricidade e água até o dia 17 de abril, data do término do Estado de Emergência. Para os consumidores cadastrados que recebem as facturas por email, tudo continua como dantes. O presidente do Conselho de Administração da Electra apela, entretanto, as pessoas para utilizarem os canais alternativos para fazerem os pagamentos – homebanking ou transferências bancárias – por forma a aliviar a tesouraria da empresa, que paga mais de 100 mil contos semanais ou 400 mil contos mensais em compras às petrolíferas. 

Alcindo Mota explica que, neste momento, a Electra está a operar de forma limitada, ou seja, faz apenas reparações de avarias, ligações que se mostrarem ser muito urgentes, manutenção de rede e mantém em activo o pessoal afecto à produção de água e electricidade. “Obviamente que o sector da produção continua a funcionar normalmente. Temos operadores que trabalham 24h por dia para garantirem a produção de energia e água e a sua gestão, e também equipas de manutenção no terreno”, declara o PCA. Já a distribuição das facturas está suspensa. Apenas os consumidores cadastrados continuam a receber as suas facturas sem problema. 

Para os clientes que queiram aderir ao serviço online, este responsável convida-os a contactar os call center da Electra ou as lojas nos municípios, que funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h30. Estas lojas, segundo Mota, continuam a funcionar para atender os serviços pré-pagos, mas também porque são através delas que muitos consumidores comunicam as avarias. “As pessoas que não estão cadastradas e, portanto, não recebem facturas por email, vamos aguardar até ser possível levá-las às suas casas. Durante este tempo, os cortes por falta de pagamento ficam suspensos. Depois do dia 17 de abril iremos reavaliar a situação”, assegura.

100 mil contos semanais em combustíveis 

Conforme Alcindo Mota, só para garantir a produção de electricidade e água, a Electra tem custos fixos juntos das petrolíferas superiores a 100 mil contos por semana ou 400 mil contos mensais, para compra de combustíveis, fuel 380 e gasóleo para as centrais poderem operar. Por isso, o PCA apela as pessoas para liquidarem as suas contas por transferências bancárias e, posteriormente, enviarem o talão de depósito para a empresa.

“Este é também um exercício de cidadania porque sabemos que neste momento não têm facturas. Estamos num período de restrição, a nossa equipa está a tentar perceber como podemos contornar a questão da distribuição das facturas para o segmento doméstico”, pontua, realçando que a maior parte das empresas tem recebido as facturas por email. As que não estão cadastradas estão a solicitar este serviço por forma a honrarem os seus compromissos.  

Este não se mostra preocupado com o aumento do consumo doméstico pelo facto de mais pessoas estarem em casas. Segundo Alcindo Mota, esta é uma questão a relativar por ilhas porquanto, por exemplo no caso do Sal, foi recentemente inaugurada uma dessalinizadora com capacidade para produzir 10 mil m3 de água por dia. No entanto, com o encerramento da maior parte dos resorts, a produção e o consumo de agua reduziu substancialmente. Em relação à electricidade, a maior demanda é das empresas e instituições, que estão paradas.

“Vamos ter alguma migração para o consumo doméstico, mas a capacidade instalada nas casas é de longe inferior à das empresas. Se as pessoas estão nas empresas, todos os gabinetes têm ar condicionado, o que não acontece nas casas. É por isso que temos de relativizar a questão do aumento do consumo, até para termos uma percepção clara dessa demanda. O que quero dizer é que, no fundo, não necessariamente a demanda vai aumentar com mais pessoas em casa porque os segmentos relevantes vão reduzir o consumo.”

Consumo eficiente

Mesmo assim, o PCA apela às pessoas para serem eficientes no consumo por forma a permitir à Electra gerir da melhor forma a sua produção e as necessidades de distribuição. Com isso, acredita Mota, o sistema não fica sobrecarregado e, principalmente, os consumidores não oneram as suas contas. “É facto que, quando estamos em casa, consumimos mais do que quando saímos de manhã e só regressamos à noite”, admite. Questionado se, à semelhança do que acontece em vários países, a empresa não pondera atribuir algum “bônus” aos consumidores durante o Estado de Emergência, este limita-se a dizer que Cabo Verde tem muitas fragilidades e a Electra também. 

“A Electra tem perdas, que não se vê na Europa. É isso que permite ter uma almofada para, em períodos de crise, atribuir bônus aos consumidores. As nossas perdas, a nível nacional, chegam a 25% da nossa produção, que não é facturada. Depois, mesmo dentro do volume facturado, há muita gente que não paga. Isso cria uma enorme pressão sobre o sistema que permite-nos fazer este equilíbrio e continuar a produzir sem perturbação.” 

De acordo com Alcindo Mota, a maior parte destas perdas são comerciais e resultam de fraudes, pelo que, mais uma vez, apela aos consumidores para, além de fazerem um consumo eficiente, evitarem defraudar a Electra. Até porque, diz, são estas ligações fraudulentas que criam perturbações no sistema, que causam blackouts e cortes no fornecimento de água e energia.

“Sabemos que neste momento as pessoas estão mais tempo em casa e , por isso, consomem mais porque a tendência é abrir com frequência a porta do frigorifico. Por vezes não fechamos a porta devidamente, outras vezes a borracha está deteriorada, o que provoca perdas”, frisa esse gestor, lembrando que tudo isso onera a conta do consumidor e aumenta a pressão sobre o sistema porque exige um aumento da produção para responder a demanda.

Constança de Pina

 9,286 total views,  36 views today

Suecia

Emigrantes na Suécia ajudam Cabo Verde a comprar testes laboratoriais para Covid-19

A Cônsul Filomena Von Zeipel deverá remeter amanhã para o Governo de Cabo Verde um cheque no valor aproximado de 60 mil coroas suecas para ajudar na compra de testes para detecção do coronavírus Covid-19. O valor foi angariado através de uma campanha lançada por um grupo de cabo-verdianos residentes na Suécia, liderada por essa diplomata, com o objectivo de recolher 170 mil coroas, dinheiro suficiente para a aquisição de 2000 kits de testes laboratoriais. 

O dinheiro conseguido até agora fica longe do estimado, mas Filomena Von Zeipel já publicou uma carta nas redes sociais a agradecer as pessoas que fizeram donativos. Para ela, a campanha trilhou um “bom caminho” pelo que reconhece o valor de todas as contribuições feitas. Nesse post, a Cônsul de Cabo Verde na Suécia informa que a campanha termina hoje à meia-noite e amanhã irá depositar toda a soma arrecada na conta Cabo Verde – Covid19 Donativo.

Segundo Zé Martins, um dos emigrantes que ajudou na iniciativa, o grupo optou por enviar o dinheiro ao Estado de Cabo Verde devido as dificuldades existentes neste momento na compra desses materiais e no transporte internacional. Deste modo, diz, será mais fácil dar o uso devido ao montante através dos canais próprios criados pelo Executivo.

“Devo dizer que estou satisfeito com a forma como Cabo Verde está a gerir a pandemia. Vê-se essa eficácia no número de pessoas infectadas no país, que é bastante reduzido quando comparado com outras paragens”, frisa Martins, lembrando que a Suécia já tem mais de 6.000 pessoas infectadas, mas o país continua a sua vida quotidiana normal, com escolas, bares, ginásios e restaurantes abertos. Como diz, cada país tem a sua forma de analisar e abordar o problema, mas ele, por precaução, decidiu ficar em casa com a família.

Kim-Zé Brito

 5,428 total views,  3 views today

HBS-Urgencia-1161x600

Covid-19: Autoridades sanitárias abrem investigação para apurar origem da infecção de chinesa em S. Vicente

As autoridades sanitárias desencadearam uma ampla investigação para apurar a fonte de contágio pelo Covid-19 de uma chinesa em S. Vicente, cujo resultado foi confirmado ontem à noite. Até o momento ninguém sabe como essa paciente de 56 anos apanhou a doença, pelo que o próprio ministro da Saúde não descarta a hipótese de se tratar de uma infecção comunitária, ou seja, ocorrida localmente e não por pessoas chegadas do exterior.

Segundo Arlindo do Rosário, a paciente, que está internada e isolada no hospital Baptista de Sousa desde o dia 27 de Março, não saiu de Cabo Verde nos últimos meses, a não ser a sua filha, que esteve na Alemanha e regressou a 27 de Fevereiro. O certo, acrescenta o responsável pela pasta da Saúde, é que tanto a filha como o marido da cidadã chinesa não apresentam sinais de contágio. Mesmo assim, ambos estão de quarentena.

A chinesa, conforme dados revelados por Arlindo do Rosário, começou a sentir calafrios, tosse, dores pelo corpo e dificuldades respiratórias no dia 18 de Março, automedicou-se em casa durante alguns dias, mas, como a indisposição continuou, acabou por ser atendida numa clínica privada, que a diagnosticou com pneumonia. A paciente foi medicada para tratamento domiciliar. “Devido ao agravamento do quadro clínico, acabou por dar entrada no serviço de urgência do Hospital Baptista de Sousa no dia 27 de Março. Mesmo não tendo um histórico de viagens e de contacto com um eventual suspeito, foi tratada e enquadrada conforme estabelece o plano de contingência para casos suspeitos, pelo facto de apresentar uma pneumonia extensa”, revela o ministro da Saúde.

Na sequência desse resultado laboratorial, Arlindo do Rosário acabou por contactar cada um dos técnicos de saúde que estiveram ligados a esse caso e, conforme esse governante, todos asseguraram que agiram com as devidas cautelas desde a entrada da paciente no banco de urgência e mostraram estar confiantes e serenos.

A atenção das autoridades desdobram-se em duas frentes por esta altura, ou seja, tratar a paciente e descobrir como foi infectada. Por agora as possibilidades são vastas. Uma delas é se o veículo de contágio foi a filha, que esteve na Europa e pode ter apresentado um quadro assintomático. Outra hipótese suscitada é se o vírus terá entrado em S. Vicente por altura do Carnaval, festa muito popular na cidade do Mindelo e cujo desfile oficial aconteceu no dia 25 de Fevereiro. Ao mesmo tempo que admite essa possibilidade, Arlindo do Rosário quase que a descarta ao lembrar que o ciclo normal do coronavírus no organismo de um doente vai dos 14 aos 18 dias. Além disso, o próprio ministro realça que, se o vírus estivesse em S. Vicente por essa altura, haveria muito mais pessoas infectadas e descobertas há mais tempo.

Deste modo, a investigação epidemiológica vai continuar e, segundo Arlindo do Rosário, se não for encontrada a fonte, o caso da chinesa, cuja actividade profissional não foi revelada, será considerado uma transmissão comunitária. “Mas isso não vai alterar em nada a estratégia que definimos porque há muito tempo que temos estado a agir como se estivéssemos perante um cenário de transmissão comunitária. Podemos reforçar as medidas de isolamento social e de higiene pessoal, mas estas já estão em curso. Aquilo que devemos estar cientes é que essa luta será ganha e a arma está nas nossas mãos, no nosso comportamento”, lembra Arlindo do Rosário, enfatizando que o vírus não passeia sozinho, “nós é que o passeamos”.

Refira-se que Cabo Verde regista neste momento 7 casos de contaminação pelo Covid-19, sendo 4 na Boa Vista – com uma morte -, 2 na cidade da Praia e 1 em S. Vicente.

Kim-Zé Brito

 3,592 total views,  4 views today

Bombeiros Ambulancia

Covid-19: INSP pondera mudar indicações sobre uso das máscaras pela população

As indicações sobre o uso das máscaras dadas pelo Instituto Nacional da Saúde Pública podem ser mudadas tendo em conta a nova orientação emanada da Organização Mundial da Saúde e a possibilidade de começar a haver transmissão local do novo coronavírus. Esta eventualidade foi admitida esta manhã por Maria da Luz, presidente do INPS, que esteve a acompanhar o Ministro da Saúde numa conferência de imprensa cujo ponto central foi a infecção confirmada de uma cidadã chinesa na cidade do Mindelo e que está a levantar dúvidas sobre a origem do contágio.

Segundo Maria da Luz, o uso das máscaras de protecção individual pela população deve ser adoptado consoante o contexto. E lembrou que a OMS recomendou no início da epidemia a utilização desse equipamento apenas pelas pessoas suspeitas de infecção, os doentes e os seus cuidadores, além dos profissionais de saúde. Isto, sublinha, num cenário em que não há registo de contágio comunitário.

“Tendo em conta que a situação epidemiológica está a mudar, vamos analisar o contexto e provavelmente daremos outras orientações sobre o uso das máscaras. Sabemos que elas devem ser usadas inevitavelmente pelos doentes e suspeitos porque são uma barreira que evita a dispersão das gotículas quando o doente tosse”, salienta a responsável do INSP, que não descarta a hipótese de o Instituto passar a aconselhar à população o recurso às máscaras. No entanto, adverte, essa medida será confirmada ou não com a devida urgência, após uma avaliação do quadro epidemiológico nacional.

Neste momento, segundo o Director do Gabinete dos Assuntos Farmacêuticos, Cabo Verde recebeu 110 mil máscaras no âmbito do projeto Alibaba, que foram distribuídas para todas as estruturas de saúde do país, a Proteção Civil e guardas prisionais. Entretanto, acrescenta, o Governo está a preparar a aquisição de mais máscaras e de outros equipamentos de proteção individual, com o apoio do Banco Mundial, e que pode assegurar um stock das necessidades em torno de três meses.

KzB

 3,164 total views,  4 views today

Vieira-Lopes

Amadeu Oliveira reage ao falecimento do jurista Vieira Lopes: “Ele disse-me que estava preparado para morrer sem vencer”

O jurista Amadeu Oliveira confidenciou ao Mindelinsite que o colega e amigo Vieira Lopes, falecido ontem em circunstâncias ainda por apurar, costumava dizer que estava preparado para “morrer, sem vencer”. Isto porque, diz, o malogrado advogado passou a sua vida a travar guerras contra a Ordem dos Advogados – “que ele considerava uma máfia instalada” -, a burla dos terrenos na Câmara da Praia – “para ele o maior crime na história de Cabo Verde” – e o figurino da Independência nacional, mas ciente de que eram quase impossíveis de vencer.

Numa primeira reacção à notícia da morte do decano, Amadeu Oliveira realçou que Cabo Verde perdeu um homem com um elevado sentido de justiça, dotado de um conhecimento único sobre o direito. Tanto assim que, diz, nos próximos tempos não irá aparecer alguém com as suas qualidades técnicas e capacidade de investigação no ramo do Direito.

Amadeu Oliveira

“Ele deixou muita obra e coisas por fazer. Em jeito de resumo, Vieira Lopes deixou dois volumes de gramática portuguesa prontos, a obra ‘Desconsideração da personalidade jurídica da pessoa colectiva’ – que iria dar um grande avanço no Direito cabo-verdiano – e ainda ‘A natureza jurídica da herança jacente’ e estava na prole o lançamento do livro ‘Note’ que ele escreveu ainda no tempo colonial…”, ilustra Oliveira, um dos três amigos mais selectivos de Vieira Lopes.

A morte desse octogenário acontece pouco tempo depois de o Ministério Público ter pegado numa denúncia de Vieira Lopes sobre um esquema de venda ilegal de terrenos na cidade da Praia e constituído 15 arguidos, entre os quais Arnaldo Silva, ex-governante e ex-Bastonário da Ordem dos Advogados, o ex-Vereador do Urbanismo Rafael Fernandes e Alfredo Teixeira, gestor da Tecnicil. Estes e outros suspeitos foram acusados de burla qualificada, lavagem de capital, falsificação de documentos, associação criminosa e corrupção activa. 

Segundo Amadeu Oliveira, este caso esteve prestes a cair no esquecimento depois de o processo ter alegadamente desaparecido dentro da Procuradoria da Comarca da Praia. “Vieira Lopes apresentou uma queixa em 2008, o processo desapareceu, mas, graças ao seu empenho pessoal ,o documento foi localizado em 2009 e registado sob o número 1234/2009”, conta Oliveira, realçando que Lopes confessou-lhe que, para ele, agora, com a acusação do MP, é que o processo dos terrenos da Praia estava realmente a começar. Só que ele não terá a oportunidade de conhecer o desfecho da sua longa e exigente investigação. 

Isto porque ontem foi noticiado o falecimento de Vieira Lopes em circunstâncias ainda por esclarecer. O jurista, que vivia só num apartamento no Plateau e sofria de Parkinson, foi encontrado inconsciente em casa, com hematomas pelo corpo. Segundo Oliveira, o amigo terá estado dois dias abandonado à sorte, sem que ninguém tivesse dado conta. Levado para o hospital pelos bombeiros foi tratado e dado alta. De regresso à casa, voltou a sentir complicações, foi levado de novo para o hospital onde acabou por falecer por volta das 18 horas de ontem.

É muito provável que o corpo seja submetido a uma autópsia para se apurar a causa da morte, antes do funeral, que deve acontecer ainda hoje em Santa Catarina de Santiago, sua terra natal. É que circulam informações segundo as quais Vieira Lopes terá confidenciado a duas pessoas que foi atacado na sua casa com gás. Este dado poderá obrigar a Polícia Judiciária a abrir uma investigação para confirmar a sua veracidade.

Entretanto, Amadeu Oliveira, Joaquim Monteiro e Daniel Lopes, todos amigos do falecido, tentaram alugar um avião para se deslocarem à cidade da Praia para participar no funeral do decano e serem ouvidos antes do corpo ser dado á terra, mas o Governo não autorizou o voo por causa do Estado de Emergência.

 17,230 total views,  24 views today

Mindelo Cidade

Caso suspeito de coronavírus de São Vicente deu positivo

O caso suspeito de coronavirus na ilha de São Vicente deu resultado positivo, anunciou a pagina oficial do Governo. Com este, eleva-se para sete confirmado com covid-19 em Cabo Verde e o primeiro em São Vicente. 

Trata-se de uma mulher, de nacionalidade chinesa, que se encontrava em internada em isolamento no Hospital Dr Baptista de Sousa em São Vicente, revela o ministério da Saude, realçando que a paciente está “estavel”. “Os procedimentos previstos na abordagem de casos suspeitos e positivos foram e estão sendo cumpridos”, acrescenta, prometendo mais explicações para uma conferência de imprensa a realizar este sábado.

O primeiro caso registado em Cabo Verde, recorda-se, foi o turista inglês, de 62 anos, que acabou por falecer na ilha da Boa Vista. O companheiro deste cidadão também apresentou resultado positivo e foi evacuado para Inglaterra. Ainda na ilha das Dunas, uma cidadã holandesa de 60 anos testou positivo. Ela foi evacuada para o seu país. Um quarto cidadão, desta feita técnico nacional que trabalhava num dos hotéis onde estes turistas estavam hospedados, foi contaminado e ainda está hospitalizado. 

Na cidade da Praia foram registados dois casos activos. Um homem, que tinha estado de férias na Europa, e a sua esposa. Os dois ainda estão internados no hospital Agostinho Neto e são considerados estáveis. 

 3,514 total views,  8 views today